terça-feira, 18 de outubro de 2011

Entrevista com a pedagoga Joselma Dória Figueiredo


Alunas: Amanda Vasconcelos Bessa e Lívia Chaves Lima

A entrevista foi realizada em uma escola particular de Fortaleza com a pedagoga Joselma Dória Figueiredo, especialista em psicopedagogia e psicomotricidade, com o objetivo compreender a visão de uma pedagoga sobre corpo, movimento e educação.

Os movimentos expressivos do corpo identificam a necessidade natural que todo ser humano tem de expor seus sentimentos e pensamentos de forma sistematizada ou não. Segundo Silvana Vilodre, o movimento do corpo se afirma através do conhecimento de si mesmo, portanto o corpo manifesta a identidade, através das diversas intervenções impostas por nossa cultura.

Segundo Michel Foucault, a problematização do corpo que determinadas culturas atribuem são estabelecidas para o controle da sociedade sobre o indivíduo, assim, estranhá-lo e colocá-lo em questão sem entender seu significado e sem valorizá-lo faz parte das representações que foram criadas para perseguir um ideal de beleza muitas vezes inalcançável.

O ideal de beleza que a maioria das pessoas almeja é aquele que a mídia supervaloriza. Ideal que muitas vezes é virtual e não pode ser alcançado, pois existem programas de computador que melhoram a aparência da pele, as formas do corpo, ou seja, segue-se um referencial que de fato não existe. Indivíduos que não estão dentro desse padrão de “corpo ideal” podem até se sentir bem com o próprio corpo em determinado momento da vida, entretanto passam a buscar esses padrões para se encaixar em determinadas representações, e muitas vezes para ganhar destaque em seu meio social.

O conhecimento do próprio corpo é muito importante para que cada indivíduo se sinta bem com sua forma, pois a partir do momento em que existe uma relação de satisfação com o corpo, não se deixa que as influencias, principalmente das industrias de beleza e da mídia, interfiram na identidade de cada um.

Deste modo, podemos perceber o quanto é importante que se tenha um autoconhecimento sobre o próprio corpo e uma visão critica sobre os referenciais estéticos da mídia para não deixar que o exagero da individualização das aparências se torne uma referência ou uma identidade para cada um, pois cada corpo é único.


GOELLNER, Silvana Vilodre. A produção cultural do corpo. In: LOURO, Guacira Lopes; FELIPE, Jane; GOELLNER, Silvana Vilodre (Org.). Corpo, gênero e sexualidade: um debate contemporâneo na educação. Petrópolis: Vozes, 2ª ed. 2005. p. 28 - 40.

Segue entrevista >>

1.    Qual o seu nome, a sua profissão e a sua formação profissional?
Joselma Dória Figueiredo, professora, formada em pedagogia, serviço social, com especialização em psicopedagogia e psicomotricidade.

2.    O que é o corpo na sua concepção?
É o objeto primário pelo qual o homem apreende e experimenta o mundo.

3.    Em sua opinião qual a importância da linguagem corporal e como você a utiliza no seu dia a dia?
O corpo é o meio pelo qual a psique se manifesta. O corpo é capaz de apreender muito mais do que o homem é capaz de perceber. Dessa forma, a linguagem corporal é o meio no qual deposito um olhar mais atento sobre as minhas ações em comparação com as dos outros.

4.    Quais processos educativos podemos utilizar em sala de aula para que a criança adquira um autoconhecimento do seu corpo e assim, possa fazer a construção da sua identidade?
O corpo deve ser percebido a partir da metáfora do movimento. O movimento é a forma pelo qual o corpo busca se afirmar no espaço. Tudo aquilo que busca uma interação do corpo em função de sua conexão com o espaço, exige da pessoa uma reflexão sobre as suas capacidades e conhecimentos corporais.

5.    Você acha importante problematizar o corpo com as crianças para se trabalhar as diferenças?
Sim. O corpo é um instrumento de aplicação complexa. É uma estrutura modulável e intercambiante. Sua afirmação se dá pela diferença de possibilidades possíveis dentro do mesmo espaço. Sua problematização é um sintoma inerente a sua própria constituição, o corpo como objeto de autoconhecimento é um indício de particularidades e especificidades não-lineares. No cerne de sua estrutura, o corpo é em si mesmo, a sua própria diferenciação.

6.    Você concorda que a escola é um espaço que interioriza os hábitos e valores da sociedade através da educação dos corpos? Por quê? 
Sim. A escola se insere dentro de um contexto cultural e perpetua diversos aspectos da sociedade em sua rotina diária, sendo, responsável direta pela promulgação de determinados conceitos e equívocos em relação ao corpo.

7.     A televisão, as revistas, as propagandas estão o tempo todo exibindo a individualização da aparência que muitas vezes torna-se exacerbada. Você acha que essas interferências da mídia podem acabar modificando na maneira que cada um pensa sobre o seu corpo?
            Sim. A construção de um corpo perpassa por uma ideia de mimese, ou imitação. A mídia prega uma equalização de conceitos e definições  trazendo a tona toda uma compreensão equivocada por parte da sua audiência. Incidindo e propondo uma série de generalidades culturais e sociais, o corpo passa a ser visto como um elemento pré-moldado, estabelecido como material de busca comum a todos, não existindo a possibilidade de multiplicidades e pluralidades. Assim, a mídia estimula a busca por um corpo ideal, um corpo já parado e programado. O público apreende esse modelo e passa a copiá-lo no seu imaginário e em sua vida diária.

8.      Você acha que o corpo pode ser revelador da identidade de cada pessoa? Por quê?
 Sim. O corpo é a matéria do ser humano. Tudo aquilo que pode ser expressado psicologicamente (dentro) pode ser expressado corporalmente (fora). Sendo assim, o homem molda seu corpo a partir daquilo que lhe compõe.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Perceber o corpo sem estados de alma: Entrevista


Estudantes: Ana Priscila e Expedito Vital

 A entrevista a seguir compõe uma das atividades exigidas na disciplina de Corporeidade e Psicomotricidade na Educação da Universidade Estadual do Ceará (UECE). Tendo como base o texto “Pensar o Corpo”, de Maria Michela Marzano-Parisoli, elaboramos uma entrevista – seguida de análise – de inquietações decorrentes da leitura e debate acerca do tema. A entrevista foi feita com uma professora responsável por turmas de Educação Infantil (III e IV), seu nome é Jucelma. Por questões éticas, preferimos resguardar ao anonimato a instituição da qual a entrevistada faz parte. Podemos dizer, no entanto, que se trata de uma escola particular de classe média, situada em Fortaleza. A docente está se formando pela Universidade Vale do Acaraú (UVA) e atua nessa instituição há 3 anos, desenvolvendo atividades com crianças em período integral. É casada e não tem filhos. Além disso, sente-se bastante satisfeita com seu trabalho. Esperamos que as observações feitas, a seguir, possam contribuir e/ou elucidar de alguma maneira nas discussões sobre o assunto.

O corpo é, cada vez mais, foco e objeto dos mais diferentes tipos de discussão. Seja do ponto de vista biológico, cultural, social ou econômico, esta representação material do que somos tem ganhado mais e mais espaço no mundo científico-acadêmico. Para muitos autores que se dedicam exclusivamente ao estudo do tema, o corpo sempre foi visto como imagem passível de apreciação, de adoração e – por que não – de idealização de diversas culturas durante toda a História dos homens. 

Temos observado que o corpo, antes de tudo, é encarado como o nosso cartão de visitas em qualquer ambiente social que frequentamos. Ademais, é nele que expressamos as marcas históricas e culturais provenientes dos grupos ou guetos dos quais somos parte; são estes últimos os principais responsáveis pela modelagem de nosso corpo, hábitos, costumes, etc. 

Como pudemos observar na entrevista, vários são os exemplos do cotidiano em que somos influenciados e, muitas vezes, forçados a adaptar e mudar quem somos; tais aspectos estão, claramente, evidenciados no corpo. Quando crianças, há sempre alguém responsável por nos ensinar as normas de “bom comportamento”, seja conscientemente ou não. A entrevista nos mostra como os pais, mesmo sem uma formação específica, demonstram preocupação com as boas maneiras e o repasse destas aos seus filhos. Mesmo sem saber, embasados unicamente no senso comum, os mais velhos tornam-se responsáveis por reproduzir hábitos peculiares ao meio em que vivem. 

Paralelamente, o ambiente escolar, de um modo geral, acaba por continuar/consolidar ou menosprezar/estereotipar muitos destes costumes. Por estar diretamente interligada à sociedade como um todo, a escola reproduz e introjeta alguns discursos que são valorizados por determinados grupos sociais. Deste modo, assim como outros temas, o corpo se transforma em um assunto acabado, indiscutível; resta-nos, apenas, adaptarmo-nos da melhor forma possível ao ambiente com os recursos oferecidos, principalmente, pelo marketing especializado do mercado consumidor. 

Existem pessoas que lutam em sentido contrário a essa tempestade que arrasta cada dia mais adeptos. Acreditamos que o corpo é “um espaço expressivo, o que projeta para fora os significados das coisas, dando-lhes um lugar e, ao mesmo tempo, o que faz com que elas se ponham a existir como coisas sob nossas mãos e sob nossos olhos” (MARZANO-PARISOLI, 2004, p. 46). Desta forma, cada um ao seu modo, mas efetivamente, buscamos mudar o mundo que temos e torná-lo o mundo que queremos. É difícil ser minoria, mas preferimos fazer pouco na direção que entendemos como certa, que muito na direção oposta. 

Segue entrevista >>

01. Quem é você? Onde você nasceu? Onde se criou? Quais as pessoas mais importantes da sua família, na sua criação? Que recordações você tem de sua infância, suas relações, seus afetos? Como você via o mundo, que recordações você tem desses lugares e dessas pessoas? (casa, família, contextos). 

- Sou professora das turmas Infantil III e Infantil IV, nasci e fui criada em São Luis do Curú. As pessoas mais importantes na minha vida foram meus pais e, hoje, meu marido, com quem moro aqui em Fortaleza. Minha infância apesar de ter sido divertida para uma criança, foi, também, sofrida, pois minha família era muito pobre, e lá em casa éramos eu e mais quatro irmãos – uma família bem grande. Depois de ter estudado, aprendi que parte da pobreza era resultado da falta de educação que os meus pais não tiveram acesso; hoje, sei o quanto é importante a educação e, por isso, gosto tanto de ser professora.

 02. Qual o seu grau de escolaridade? 
- Estou cursando o oitavo semestre de pedagogia na UVA. 

03. Como eram as pessoas que lhe influenciaram: rígidas ou liberais? Há alguma situação marcante que demonstre isso? 
- Meus pais eram rígidos nos aspectos que achavam importantes e liberais nos aspectos que não achavam importantes, por exemplo: por não ter tido educação escolar, meus pais nos mandavam pra escola todos os dias, não pelo estudo, mas pelos benefícios que a escola nos proporcionava, alimentação e um lugar pra ficar enquanto meus pais trabalhavam. Eu estudava em uma escola pública de interior e nunca houve uma cobrança em estudar quando eu chegava em casa. Isso se dava devido aos meus pais não saberem da importância da escola e da educação, nesse aspecto eles eram bem liberais, já para nos deixarem sair de casa, brincar com outras crianças da cidade, eles eram bem rígidos! Só brincávamos com crianças conhecidas e mesmo assim sobre vigilância dos meus pais. Na época da adolescência, principalmente, meus pais foram muito rígidos. 

04. Para você, o que é o corpo? O que você faz para conhecer melhor o seu? 
- Para mim, o corpo é parte do seu ser, é onde você traz as marcas da sua vida, do que você já viveu, e seu instrumento de vivência, é ele que você vai usar, ele depende de você e você depende dele, na verdade você é ele. Olha, minha vida está tão corrida, trabalho manhã e tarde, e a noite estudo, que estou em dívida com os cuidados com meu corpo. 

 05. Você acredita que exista um padrão ideal para o corpo masculino e feminino? 
- Existe um padrão que para mim não é o ideal, que é aquele estabelecido pela sociedade. Mas, para mim, o corpo Ideal é aquele que é saudável. 

06. Qual o seu ideal de corpo? Por quê? 
- Pra mim, meu corpo ideal seria mais magro do que está hoje, mais parecido como quando eu era mais jovem, isso porque me ajudaria no trabalho, me cansaria menos e não posso negar que me sentiria também mais bonita. 

07. Você acredita que o corpo é critério de julgamento social? Você pode contar um exemplo da sua experiência de vida? 
- Sim, acredito sim! Isso é visível em entrevistas de emprego. Nessa escola mesmo você pode notar que as pessoas melhor sucedidas nos trabalhos são magras; os diretores, coordenadores e supervisores, a grande maioria, é magra. 

 08. Enquanto professora, como você percebe o corpo do outro (alunos) e tenta trabalhar a influência da mídia sobre eles? 
- Afinal, é bastante freqüente brinquedos infantis (como a Barbie, por exemplo), estimularem nas crianças um perfil apreciado atualmente na sociedade, mas, muitas vezes, extremamente prejudicial à saúde física e mental. Os pais dos alunos são os que mais tentam influenciá-los em questão ao corpo, principalmente, as meninas. As mães levam no cabeleireiro até crianças de 2, 3 anos. Todos os pais querem ter filhos no padrão que a sociedade define como bonito! Aqui na escola, nós temos duas crianças especiais, uma perfeita fisicamente, mas autista e outra que tem problema de locomoção; ela anda, porém com dificuldade, pois tem os pés enrolados, por ter nascido de 5 meses. No começo do ano letivo, notamos que a aluna autista, apesar do comportamento, foi mais aceita inicialmente pelas crianças do que a aluna com problemas de locomoção. Fomos explicando as crianças que todos eram bonitos e que era bonito ser diferente, pois se todos fossem iguais nós não vamos saber diferenciar quem é a mamãe, quem é o papai, quem é o coleguinha, e que brincar junto com um monte de coleguinha igual seria chato. Trabalhamos isso nas crianças e, hoje, as duas crianças especiais são bem aceitas pelas crianças. 

09. A escola exige dos funcionários algum perfil para o trabalho? 
- A escola oferece o fardamento, para que possamos trabalhar e somos orientadas a estarmos sempre com cabelo arrumado, sandálias novas, bem apresentadas. 

10. Você já presenciou na escola algum preconceito com relação ao corpo? 
- Já sim, mas não comigo! Uma das professoras da escola é negra, certa vez um aluno foi embora e esqueceu a lancheira na escola, a professora em questão guardou a lancheira para entregar ao aluno no dia seguinte. No outro dia, na agenda do aluno, a mãe escreveu: “Professora, o meu filho esqueceu a lancheira ontem na escola, e disse que a professora negrinha pegou. Por favor, encontre a lancheira e mande-a de volta!”. A escola entrou em contato com a mãe do aluno, que pediu desculpa a professora por ter usado esse termo com ela, e por ter dado a entender no recado que a professora teria ficado com a lancheira para si. Foi muito constrangedor para a professora que depois se sentiu com vergonha por tudo o que aconteceu, sendo que quem deveria ter vergonha era a mãe do aluno. 

 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS MARZANO-PARISOLI, Maria Michela. Perceber o Corpo Sem Estados de Alma: corpo divinizado e corpo aniquilado, pp. 23-46. In – Pensar o Corpo. Petrópolis, RJ: Vozes, 2004.

Estudo e reflexão do texto O Manifesto do Corpode Miguel Vale de Almeida.

Alunas: Julie Ane Oliveira e Marcela Ferreira

 O vocábulo corpo, termo rico de significado em nossa língua portuguesa, apresenta infinitas definições ao longo da história. No entanto, comumente ao pensarmos no corpo, somos levados quase de imediato a imagem de um conjunto de membros, isto é, a ideia meramente ‘biológica’ do mesmo. Porém, conforme vamos refletindo e tomando contato com literaturas e debates, percebemos as infinitas possibilidades terminológicas que o corpo dispõe. Objetivando um maior aprofundamento dessa discussão, tomamos como base o texto O Manifesto do Corpode Miguel Vale de Almeida , e nos propomos a explanar um pouco mais sobre a temática supracitada. 

Segundo Almeida (1996) todas as pessoas são identificadas por meio de sinais diacríticos, ou seja, através de sua aparência, ou do que ele chama de ‘sinais exteriores ancorados em seus corpos’. Assim, para o autor, normalmente costumamos rotular as pessoas por suas características corporais, classificando-as como altas, baixas, brancas, negras, loiras, gordas, magras e etc. Inclusive, em sua abordagem o primeiro exemplo citado é o de Alberto, um rapaz negro que vive em Lisboa e ao andar pelas ruas é alvo de olhares, por conta de sua aparência. 

Na situação proposta, percebemos que antes de ser reconhecido como um ser humano, Alberto é primeiramente identificado como pertencente a um grupo, no caso a uma raça. Dessa forma, compreendemos que muito mais que características descritivas, os sinais diacríticos, estabelecem uma relação de diferença de sentido e significado, e quando tratam-se de corpos são vinculados muitas vezes a rótulos que inferiorizam ou superiorizam os indivíduos. 

A maioria dos ‘juízos’ de valores são tendenciosos, e findam pelo caminho da perda da identidade, logo os indivíduos, não se veem mais como sujeitos, mas apenas como partes de um grupo no qual nem obtiveram direito de escolha por ali serem enquadrados. Como afirma Almeida (1996), ‘as categorias não estão aí apenas para ajudar a organizar a cognição – elas não são neutras ou horizontais, ou sequer simétricas’, pelo contrário são desiguais de forma a classificar uns como melhores, e outros como piores. 

Vale ressaltar, que os grupos inferiorizados geralmente são os que apresentam-se em minoria, ou fora de padrões socialmente impostos. A mídia publicitária contribui de forma significativa, para as ideias de corpo ideal, apresentado padrões que sugerem controle, desejo e fetiche. Desse modo grande parte do público consumidor ‘compra’ a ideia, e a busca pelo padrão ideal torna-se muitas vezes uma obsessão. Esse medo de ser diferente, de não ser simetricamente perfeito, e principalmente de não conseguir inserir-se nos espaços sociais, tem levado muitas pessoas a decisões extremas, onde a mutilação e cativeiro do corpo são atitudes que algumas vezes levam a caminhos sem volta.

O Manifesto do Corpo, nesse sentido vem ‘denunciar’, e atuar como verdadeiro manifesto de defesa do corpo, motivando-nos a reflexões bem além da superfície corporal. Através dos personagens ‘criados’ pelo autor, inferimos que pensar no corpo é pensar em nossas raízes e identidade, especialmente no contexto atual onde o corpo é cultuado, e a ‘indústria do corpo’ é cresce notavelmente. Assim, observar, ler e refletir sobre tal temática possibilitou-nos uma visão mais ampla acerca do que é o corpo, e essa visão estendeu-se além da ideia de corpo como produto e produção cultural. 

Nosso corpo é história, é espírito, é poder, mas acima de tudo é uma fonte inesgotável de símbolos, que simultaneamente é patrimônio. Patrimônio esse que tem sido mais refém do que aliado na construção histórica do homem real e ideal, que se inventa e reinventa dia após dia.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

E no shopping... quem fala sobre o corpo?

Alunas: Maylinne Barros Beserra e Mª Kaliane Quaresma Parnaíba 

 A proposta desse trabalho foi de realizarmos em trabalho de campo a observação e a descrição de um determinado contexto, em seguida uma entrevista, para, embasado no texto “O manifesto do corpo” de Miguel Vale de Ameida (1996), realizar uma análise reflexiva sobre as manifestações corporais e suas implicações.

O campo alvo de nossa análise foi o Shopping Benfica, localizado na Av. Carapinima, N° 2200 - Fortaleza – CE, próximo de escolas, universidades e outras instituições educacionais que tem como público predominante estudantes de diferentes faixas etárias. 

De modo geral as pessoas que frequentam o shopping vão para realizar pagamentos, fazer compras, ver filmes e encontrar os amigos. Transcorremos todos os ambientes do local e vimos que os mais movimentados são: a praça de alimentação e o cinema e o menos frequentado é o último andar, onde fica a exposição de arte. 

Analisando os corpos, identificamos caracteríticas comuns, a citar, indivíduos que vestem-se a moda e representam a categoria ou grupo que faz parte. A maioria das mulheres usavam algum adereço (bolsas, óculos escuros, cordões entre outros). Quanto aos rapazes, usavam óculos de grau grandes, tipo “restart”. Vários com mochilas, principalmente estudantes, mas entre eles uma senhora nos chamou a atenção pela forma como se vestia: calça jeans, mochila, óculos escuros e etc. Sua postura nos remeteu o fala de Almeida (1996) quando diz que hoje “vivie-se como nunca o culto da juventude (...)”. 

 A partir desta pesquisa e do texto supracitado, surgiram questionamentos que supostamente poderiam ser respondidos pelos sujeitos observados. Veio a necessidade de retornarmos ao campo e entrevistarmos uma vendedora, como objetivo analisar suas concepções acerca do próprio corpo e como se percebe dentro do campo observado.

Entrevistamos, então, uma jovem vendedora de 20 anos de idade, que atua na área de moda infanto-juvenil, casada, parda, e com ensino médio completo. Percebemos que a vendedora refere-se predominantemente as características de sua personalidade, valores e caráter.

Quando pedimos para ela falar de seu corpo, a mesma relatou-nos a fragilidade em que ele se encontrava e não a forma física que os mesmo possuia. Porém, quando perguntamos se ela faz algo para se sentir mais jovem, ela respondeu positivamente, dizendo se utiliza dos recursos que ela tem acesso (roupas, prancha, etc.) e se por acaso, ela possuisse mais dinheiro mudaria algumas coisas em sua aparência. Percebemos que as pessoas sentem a necessidade de parecerem mais jovens, procuram estar na moda, para que, desta forma, sejam aceitas pela sociedade.

Segue entrevista >>

1. Quem você é?
Vendedora: Sou sorridente, trabalhadora e responsável.

 2. Fale sobre seu corpo.
Vendedora: Meu corpo está um pouco frágil, pois fiz uma cirurgia a pouco tempo.

 3. O que você mais gosta no seu corpo? Por quê?
Vendedora: A minha barriga, porque é fina.

 4. O que menos você menos aprecia no seu corpo? Por quê?
Vendedora: As panturrilhas, porque são finas.

 5. Como você acha que é visto (a) pelas outras pessoas?
Vendedora: Calma, responsável e magra demais.

 6. O que seu corpo representa em seu ambiente de trabalho?
Vendedora: Confiança, o físico não tem muita importância.

 7. O que é importante para que uma pessoa seja aceita por você e pelos seus colegas no ambiente de trabalho?
Vendedora: Respeito, confiança e amizade.

 8. Por que você acha que as pessoas frequentam o shopping?
Vendedora: Por vaidade e necessidades. 

9. Você sente alguma dificuldade em conciliar o emprego e a vida doméstica? Se sim, quais?
Vendedora: As vezes sim, porque sou casada e o horário é complicado, principalmente, no final de semana.

 10. Para você, o que é bem estar?
Vendedora: Estar bem espiritual e fisicamente, e também, no amor. 

11. Sua aparência corresponde à sua idade? Você faz algo para se sentir mais jovem?
Vendedora: Não, acho que o fisico não corresponde a minha idade, me acho mais velha, procuro usar o que tenho para ficar bonita como prancha, fazer as unhas, banho de lua. Se tivesse dinheiro com certeza me vestiria melhor, faria uma plástica corretora e peeling.

 12. Qual o seu padrão de beleza? Descreva uma pessoa que você considera estar nele.
 Vendedora: Uma pessoa que pesa 55kg e 1,63 altura, fazendo atividades físicas e, se alimentando bem. (Minha irmã)

 13. Quais suas conciderações acerca da diversidade cultural?
 Vendedora: Todos têm direito de ser o que deseja e ninguém dever ter preconceito.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

ATENÇÃO!


Turma, hoje não haverá aula. Nos encontramos na próxima terça, dia 29/09. 
 Avise aos colegas!

terça-feira, 13 de setembro de 2011

A produção cultural do corpo

ALUNOS: ANTONIO WAGNER PEREIRA e CAISON CLEIDER 
 Estudo e Reflexão do 2ª capítulo do livro: GOELLNER, Silvana; FELIPE, Jane. (Org.). Corpo, gênero e sexualidade: discutindo práticas educativas. Rio Grande/RS: Editora da FURG, 2007

 Esta reflexão parte da fundamentação geral do corpo concebido e produzido tanto pela cultura, quanto pelo tempo histórico no qual está inserido. Goellner (2007) afirma que em diferentes momentos históricos o corpo recebe diferentes marcas. Logo, torna-se complicado analisar corpo de forma individual sem atentar para as interferências externas das quais está sujeito e inserido (Contexto). 

Observamos que o corpo não é algo imutável, pelo contrário, ele está em constante transformação e por isso assume inúmeras características. O corpo não é somente o que observamos pelo reflexo de um espelho como sendo um conjunto de pele, e em sentido mais estrito, ossos, músculos, um emaranhado de veias como fica bem explicitado nas palavras de (GOELLNER, 2007). O corpo é identidade, é cultura, é histórico, é biológico, é máquina, e as representações que se criam sobre esse corpo, é poder, é controle, é o que dele se diz.

O corpo diz muito sobre o que somos; enquanto grupo, criamos estereótipos, classificamos, nomeamos, definimos, julgamos uma pessoa a partir do que vemos em seu corpo: o que ela veste, o cabelo, a cor da pele. Deduzimos muitas coisas sobre uma pessoa simplesmente olhando para o seu entorno. Por um simples gesto ou modo de portar-se criamos uma série de “pré-conceitos”. Todas essas afirmações nos levam a concluir que de fato o corpo é um sem limites de possibilidades, e isso fica bem claro nas palavras da autora quando afirma que um corpo é mais do que um conjunto de músculos, ossos, vísceras. Sua definição está, além disso, pois as roupas, os acessórios, a imagem que dele se produz diz muito sobre si.

O movimento corporal de um bairro retrata a vida e cultura das pessoas que ali vivem. Julgamos a partir de nosso ponto de vista, da cultura na qual estamos inseridos. Podemos exemplifica o que argumentamos de uma maneira bastante simples analisando uma situação hipotética: “morador da área nobre de Fortaleza, visitando uma dessas pracinhas da periferia”. Certamente o impacto seria grande. E a recíproca também é verdadeira, pois as vestes, a forma de se portar, os hábitos, o modo como os corpos se apresentam serão alvos de nomeações e classificações. O corpo vai refletir o grupo ao qual pertencemos daí concluímos que de fato, diferenciamo-nos culturalmente através de nossos corpos. 

Segundo a autora, falar do corpo é falar de nossa própria identidade, pois, na cultura contemporânea o corpo adquiriu grande centralidade, ficando isso bastante evidente no crescente mercado de produtos e serviços relacionados ao corpo; cosméticos, academias, cirurgias, medicamentos, dietas, próteses. Diariamente a mídia bombardeia milhares de pessoas com conceitos de corpo ideal. Estabelecem-se padrões de beleza. A moda dita a tendências das roupas dos acessórios. A partir daí nos identificamos com determinado padrão e construímos nosso perfil. Na sociedade contemporânea, com todo aparato tecnológico, predomina o culto ao corpo. Não há limites.

É possível mudar o cabelo, trocar de sexo, aumentar/diminuir os seios, os músculos. O corpo agora é algo modificável, a tecnologia propicia as mudanças. Pregasse o corpo retilíneo, vigoroso. E quem não tem é um relaxado. Ao longo da história observamos as diversas mutações, conceitos e valores pelos quais o corpo passou até chegarmos aos conceitos hoje vigentes. Durante a Idade antiga, o corpo ligado a natureza havia a integração corpo-natureza-deuses, no sentido de divinizar o corpo. Com o advento do Cristianismo houve a divisão corpo x alma. O corpo é a morada da alma, ele é corruptível, a alma não. Daí a necessidade de punir o corpo (flagelos), punição pelos pecados.

 Por muito tempo houve diferenciação entre homens e mulheres por causa do corpo. A partir dessas diferenciações o lugar de cada um era determinado na sociedade. Essas explicações que determinavam o feminino e o masculino eram advindas da biologia do corpo. À mulher, por ser mais frágil, eram destinadas atividades menos penosas, daí atribuía-lhes atividades do lar. Ainda no que se refere ao corpo enquanto biológico durante um período da história até mesmo a higiene do corpo teve outro significado. Goellner (2007) afirma que o banho nem sempre esteve ligado a ideia de limpeza do corpo como se tem hoje em dia. Na Idade Média restringiam-se as mãos e ao rosto. Somente a partir do século XVIII a lavagem do corpo é associada à proteção, pois um corpo limpo está menos sujeito a doenças, além de tudo revigora e melhora a aparência.

 Buscamos ao longo dessa discussão analisar as características históricas, sociais e culturais referentes as diversas função do corpo com o fim de compreendermos melhor nossa realidade e toda essa produção cultural do corpo.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Entrevista com Dayse Campos de Sousa

Alunas: Lissandra Silva Cutrim e Nirlene Barbosa de Mesquita.

A entrevista foi realizada no Instituto de Promoção da Nutrição e do Desenvolvimento Humano- IPREDE, na sexta-feira dia 10/06/2011, às 19h30m. Com Dayse Campos de Sousa, coordenadora do Curso de Especialização da Universidade Estadual do Ceará- UECE e Universidade Federal do Ceará- UFC que atua também desenvolvendo projetos em instituições como o IPREDE.

Formada em Graduação em Psicologia, Psicomotricista titulada pela Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro- SBP\RJ com Pós-Graduação em Psicomotricidade e Mestra em Educação Especial pela UECE e Centro de Referência Latino Americano para Educação Especial- CELAEE, do Ministério de Educação de Cuba.

A Psicomotricista, Dayse mostrou a sua perspectiva em relação quanto à interligação do corpo e a mente. O que é de fundamental importância para a absorção do conhecimento por parte da criança. Relatando que é através da ação que a criança vai descobrindo as suas preferências e adquirindo a consciência do seu esquema corporal.

Para que isto aconteça é necessário que ela vivencie diversas situações durante o seu desenvolvimento, interagindo e articulando, principalmente, durante as atividades em grupo onde a criança encontra espaço para a sua própria expressão, permitindo transformações que resultam em uma maior flexibilidade na relação consigo mesmo, com os amigos, os familiares e com os diversos grupos com os quais ela se relaciona.

Segundo a entrevistada no período da sua Graduação ela não ficou satisfeita com a metodologia utilizada pelo professor e decidiu que se aprofundaria na área da Psicomotricidade. A partir disto seu intuito foi de aplicar uma nova metodologia para a transmissão de toda uma informação necessária para a formação dos futuros profissionais de maneira que eles possam saber a teoria e vivenciar a prática.

Percebemos que as atividades diversificadas como: atividades em campo, em dupla, oficinas, aulas teóricas e vivências são fundamentais para que os alunos do curso de Especialização se tornem capazes de estabelecerem uma interligação entre o corpo, o movimento e a educação. Segundo Dayse, a procura na área de Psicomotricidade tem sido maior na área de pedagogia, apesar ter profissionais da área de Educação Física e Psicologia.

Portanto, podemos perceber que no Brasil o campo da Psicomotricidade não possui tanta abrangência no mercado de trabalho, pois ainda não é reconhecida como profissão, já que só há uma Graduação em Psicomotricidade em todo o país, no Rio de Janeiro, enquanto que em outros países como: Argentina, Chile e países da Europa e entre outros já é uma profissão reconhecida. Por isso, a meta é que a Psicomotricidade seja reconhecida nos próximos anos, pois aprendemos que ela auxilia ao pedagogo a compreender o que ocorre com a criança através do processo de afetividade, pensamento, motricidade e linguagem, onde a dinâmica psicomotora auxilia no potencial de relação pela via do movimento, incentiva o brincar e, amplia a possibilidade de comunicação.

Entrevista na íntegra >>

1. O que é a Psicomotricidade?
Dayse Campos de Sousa- Na minha concepção pode ser definida como o campo transdisciplinar que estuda e investiga as relações e as influências, recíprocas e sistêmicas, entre o psiquismo e a motricidade.

2. Como a Psicomotricidade é vista no mercado de trabalho?
Dayse- No Brasil há somente uma faculdade reconhecida pelo Ministério da Educação- MEC que é situada no Rio de Janeiro. Em relação, a profissão ainda não há reconhecimento no Brasil o que torna difícil para os profissionais exercerem a profissão.

3. Quais são suas áreas de atuação?
Dayse- Psicologia e Psicomotricidade.

4. O que o motivou a se dedicar a esse campo específico?
Dayse- Uma experiência que tive quando fazia graduação, onde um professor de uma determinada disciplina não me satisfez quanto à metodologia utilizada, pois suas aulas eram teóricas e a prática ficava esquecida. Então, me propus a estudar a área da Psicomotricidade para que através do meu conhecimento e experiência eu possa transmitir aos alunos aprendizagem teórica suficiente fazendo com que eles possam aplicar a prática confiando em si mesmo e tendo prazer no que fazem. Pois, me dedico nesses vinte nove anos a Psicomotricidade e tenho paixão pelo que faço.

5. Como tem sido a demanda, o interesse dos professores por essa área?
Dayse- A demanda não é suficiente, pois como ainda não é uma profissão reconhecida dificulta o ingresso dos profissionais na área. Contudo, a busca pela Psicomotricidade tem sido mais procurada pela parte pedagógica do que clínica.

6. O que é preciso para o professor ou o interessado se capacitar em Psicomotricidade?
Dayse- É necessário que o professor faça a Especialização em Psicomotricidade, conheça a estruturação, tenha um bom entendimento na parte teórica e principalmente vivencie a prática, pois é através dessa vivência que ele vai reconhecer o conjunto mental e corporal da criança. Pois, a prática é totalmente diferente da teoria e, sobretudo é preciso acreditar na formação e na vivência.

7. O que muda na aprendizagem quando se trabalha com a Psicomotricidade?
Dayse- A criança adquire melhor compreensão de mundo com o ato de brincar, desenvolve-se intelectualmente pela construção dos seus pré-conceitos sobre os objetos, o espaço, o tempo e as causas e efeitos que regem os acontecimentos.

8. Como a Psicomotricidade pode auxiliar a criança no seu comportamento, aprendizagem e socialização?
Dayse- O desenvolvimento da criança depende da qualidade de sua relação com o grupo, com o meio onde vive e de uma verdadeira formação social. As crianças aprendem a viver com os outros, a aceitá-los, a respeitá-los, a trocar, a comunicar, a dar e receber. A criança estará num espaço plenamente disponível para uma estruturação intelectual e as suas capacitações serão mais sólidas e rápidas.

9. O que o Psicomotricista busca ao estabelecer esse tipo de contato com a criança?
Dayse- O papel do Psicomotricista é ajudar a criança no seu processo de autoconhecimento, visando estabelecer novas interações com o outro a partir da relação psicomotora livre, criativa e dirigida. Assim, ela se torna mais criativa em face de suas possibilidades de ação e descoberta pessoal, se manifestando mais alegre e humana.

10. E como tem sido a sua vivência como docente?
Dayse- Coordeno os alunos no Curso de Especialização, apresento trabalhos em outros países, participo de palestras em outros estados, inclusive viajarei ao Chile a um Congresso de Psicomotricidade em novembro para apresentação de um trabalho e farei palestra, pois lá a Psicomotricidade já é uma profissão.

11. Como você vê o trabalho de pesquisa na área da Psicomotricidade? Você está realizando alguma investigação?
Dayse- Há poucos trabalhos, pois algumas monografias que temos normalmente não são valorizadas, o que dificulta muito o trabalho na área. No momento não estou realizando nenhuma pesquisa, contudo acho importantíssimo que os alunos pesquisem porque dessa maneira adquiriram mais conhecimento e terão menos dificuldade em apresentar trabalhos e escreverão mais facilmente.

12. Em sala de aula, como a Psicomotricidade pode auxiliar ao pedagogo?
Dayse- Perceber que a partir do início da escolaridade, as crianças ainda estão estruturando o seu desenvolvimento físico, mental e social. O papel do pedagogo vai ser o de analisar o histórico da criança, para que assim possa compreender que fatores influenciam na convivência com a escola e adaptar- se com o meio social, podendo assim facilitar no trabalho com as dificuldades do aluno.

13. Na sua opinião, o período em que é dado a disciplicina de Psicomotricidade na Graduação é suficiente para que os futuros educadores desenvolvam atividades adequadas?
Dayse- Não, pois o tempo é mínimo para que se possa ver a parte teórica e principalmente ter as vivências que são de extrema importância para conhecer a Psicomotricidade. Teria que ter no mínimo uns três semestres para que se pudesse trabalhar na Graduação a Psicomotricidade.

14. No decorrer do Curso de Especialização em Psicomotricidade que tipo de atividades são desenvolvidas pelos alunos?
Dayse- As atividades de campo em dupla para que um auxilie o outro, estágios supervisionados, oficinas com texto (parte teórica) e logo depois a prática seja no IPREDE ou em escolas, aulas teóricas com vídeos vivenciadas por profissionais de outros países, vivências...

15. Levando em consideração essa realidade, qual é o desafio dos profissionais que atuam nesta área?
Dayse- O maior desafio é a legalização da profissão e mais cursos em nosso país, pois só temos um curso de Graduação no Rio de Janeiro e apenas um curso de especialização pela UECE e pela UFC. No entanto, nos países como: Argentina, Chile e parte da Europa esses profissionais já tem o reconhecimento o que facilita a sua atuação na área.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Reflexões que pensam o corpo

Alunas: Claudiana Queiroz e Irinete Bezerra Ferreira

O crescimento profissional tem sido um dos maiores desejos do ser humano, levando o homem a se adequar ao padrão exigido pela sociedade, dando ênfase ao corpo como objeto de venda e representação para o comércio. O corpo é o reflexo da imagem pessoal, através do qual podemos transformar ou não os nossos valores, as nossas ações.

Atualmente fala-se do corpo como um objeto, passando uma imagem de que o mesmo não tenha necessidade de expressar-se naturalmente. Somos movidos por uma sociedade que impõe o que vestir, beber e até mesmo absurdamente o que sentir, tornando o ser humano cada vez mais mecânico, ou seja, uma peça manipulável e esculpido para o mercado que acima de qualquer sentimento está o capitalismo.

Pensando um pouco no que nos move com facilidade para o padrão social que nos é apresentado, encontramos uma palavra chave para essa situação, (preconceito), ou seja, vivemos cercados de preconceitos, e assim temos muito medo de ficar a margem da sociedade, distante do perfil da falsa beleza que conhecemos em nosso dia a dia, pois essa exclui um corpo fora dos padrões de estética, das medidas e peso exigido, fazendo com que o individuo esqueça os cuidados com a saúde, preocupando-se apenas em mantê-lo malhado, mesmo que não tenha uma alimentação adequada e saudável, pois o que realmente importa é a aparência que é usada nas propagandas, nos relacionamentos e em varias profissões, pois o corpo magro representa saúde, quando na verdade em sua maioria é apenas um corpo sacrificado e limitado, impedindo de ter uma boa alimentação e exercícios adequados.

Nesta busca pela perfeição que o comércio pede, nos privamos de realizar tarefas que achamos não ser capazes de fazer, por simplesmente não achar estar neste padrão exigido. Assim perdemos a chance de descobrirmos o potencial de nosso próprio corpo.

Mesmo diante de tantas exigências pela sociedade o corpo real existe, e tem sem duvida um grande potencial a ser trabalhado, fazendo uma ligação entre o corpo e a mente. O corpo ideal não pode ser construído apenas por matéria física, pois a sua essência está ligada ao espírito, a mente, buscando uma construção sólida, para que assim, consiga reconhecer-se integralmente, independente de está ou não dentro dos padrões sociais de um corpo ideal. Dessa forma, para viver intensamente o nosso corpo precisamos aceitá-lo, desmistificando assim, o conceito de que corpo ideal é corpo sarado, corpo perfeito.

Conforme Foucaut:
“O corpo não é nada mais que uma idéia histórica, isto é, o simples produto da construção cultural da sociedade, o corpo humano é sempre e antes de tudo uma entidade real, uma realidade material, o substrato carnal de cada pessoa.” (Parisoli,2004,p.24)

A luta por um corpo com padrão social é tão desenfreada que esquecemos dos limites e valores que esse corpo possui, sufocando-o com atividades que não se adequam ao nosso perfil corporal. Além disso, negamos o fato do corpo possui movimentos livres e involuntários, impedindo-o de se expressar, causando assim, a sua passividade diante dos momentos de pressão.

BIBLIOGRAFIA
PARISOLI, Maria Michela Marzano. Pensar o corpo. Petrópolis: Editora Vozes, 2004.

O que revela nosso movimento ?

Alunos: Everaldo Cândido e Flávio Anderson Liberato

Todos os seres vivos têm na sua essência o movimento, interno ou externo, veloz ou rápido, animais ou vegetais; cada espécie com características distintas. Os humanos, por sua vez, possuem habilidades capazes, muitas vezes, de imitar fidedignamente movimentos, sons de outros animais com grande perfeição, algo raro no reino animal. Por que não nos apropriamos de tal capacidade e de muitas outras, que envolvem o movimento, para trabalharmos diversas dinâmicas em nosso desenvolvimento?

As palavras do Psiquiatra e escritor “J.Gaiarsa” em um dos vídeos analisados reforçam a necessidade do movimento corporal, principalmente nas crianças, que se fundamentam de experiência e sensações para a vida adulta com simples brincadeiras. Um fundamento relatado por Gaiarsa que chama atenção, e deve ser levado como alerta e ensinamento para a família e os futuros professores, e aplicável no campo educacional, é a idéia da liberdade de movimentos, principalmente, nas salas de aula.



Afinal a escola, não deve ser caracterizada como um ambiente exclusivo para aprendizado verbal escrito. “Quanto mais movimento mais inteligência afirma o especialista”. O professor e a família devem ter o cuidado em não restringir a espontaneidade do movimento, pois a inteligência está interligada diretamente com tal.

No vídeo em que temos “As Crianças e a dança do FUNK”, é retratado como não se deve coordenar brincadeiras que envolvam erotismo com crianças. O funk é uma manifestação cultural social brasileira assim como o frevo, o Olodum, a capoeira, o bumba meu boi, entre outras manifestações que permeiam este país.


O funk originou-se nos Estados Unidos e difundiu-se na cultura brasileira, sendo massificado principalmente no Rio de Janeiro, onde surgiu no final da década de 70, e como qualquer outra música sofreu várias modificações, além do conteúdo de forte teor erótico das letras, incluindo a intervenção frequente de gemidos de contexto sexual na música, caracterizando o atual “Funk Carioca”.

O relevante em tudo isso são os estímulos tendenciosos lançados, sem temor das consequências sociais e culturais. A mídia, indústria e o comercio (o capitalismo), exemplificando, co-existem em prol de conquistarem cada vez mais consumidores, não interessando como ou em qual faixa etária investir. As novelas também fazem parte de uma das ferramentas mais eficazes de tal união, pois, basta que uma atriz ou ator use uma roupa extravagante ou exótica para que rapidamente se espalhe pelos diversos recantos brasileiros, propagando também comportamentos que, muitas vezes, podem afetar o desenvolvimento do intelecto, com mais facilidade nas crianças e adolescentes.

É bem verdade que existem várias condições externas que forçam o amadurecimento corporal, desprezam o desenvolvimento intelectual, ceifando, muitas vezes, fases essenciais, às vezes, precocemente, como o trabalho, a gravidez, as drogas, dentre outras. A condição mostrada na dança do FUNK surpreende pela quantidade de adultos prestigiando e incentivando a dança, que em suma, não tem nada a ver com brincadeira ou jogo para crianças, pois os movimentos realizados durante a dança transmitem erotismo impróprio para tal fase da vida. A perspectiva de quem assisti aquelas meninas, de forma crítica, é que a inocência se perdeu e a sexualidade aflora tanto nas “dançarinas” como nos olhares dos espectadores.

Ao analisarmos o filme Tempos Modernos, podemos fazer diversas conclusões de cunho social. Através deste podemos observar o contexto em que vivemos, apesar da obre ser realizada há anos.  O filme nos traz à tona o condicionamento empregado a partir da Revolução Industrial em nossa sociedade, o famoso ditado popular que diz: “tempo é dinheiro”, assim, não se pode admitir a perda de tempo, devemos dedicar o tempo que nos é ofertado, durante todo as 24 horas,de maneira produtiva, que possa gerar um resultado lucrativo para todos. 



Devem ser feitos todos os esforços possíveis em prol da teoria desenvolvimentista, para que a sociedade possa crescer cada vez mais rápida e de forma eficiente. No clássico analisado, Chaplin chega a sofrer danos que o levam inclusive à prisão, pois em sua jornada de trabalho que esta inserida num ambiente sob pressão do patrão, em busca de uma escala maior em produtividade a ponto de buscarem novas alternativas para que seja diminuído o tempo de “ócio” e passe a trabalhar mais, afinal de contas, não se pode perder tempo no mundo capitalista.

Como já tratado, em nossos dias atuais, o modo de vida em que vivemos também nos remete a uma qualidade de vida reduzida, em prol do tão almejado desenvolvimento, atrelado ao aspirado sucesso profissional. Em nossa busca diária, deixamos de nos importar com fatores bastante relevantes para nossa saúde corporal, como o corpo.

As pessoas estabelecem em suas vidas as inevitáveis “prioridades”, que por elas é baseada toda a vida. As escolhas que devemos tomar exigem que sejam escolhas fundamentadas no sistema produtivo vigente em nossa comunidade, não se pode admitir que um indivíduo pertencente à sociedade não foque seus objetivos na produção, ou seja, não é compreensível que jovens não se matem de estudar, pois é justamente nesse período que deve ser estruturada a base profissional de uma pessoa, não é admissível que crianças levem a vida a brincar, pois a vida não é só de prazer, elas devem começar a produzir desde cedo, estudando muito e se divertindo moderadamente.

Em suma, os vídeos apresentados possuem diversos significados relevantes para nosso desenvolvimento pessoal e profissional, afinal seremos mentores, em certos instantes, em dar sentido, orientar e motivar, os movimentos e os bons relacionamentos entre corpo, mente e espaço social de indivíduos, que por algum motivo necessitam de atenção em atividades psicomotoras.

Análise comentada do texto: Pensar o corpo e do vídeo Handin Hand Ballet

Alunas: Luciana Firmino Costa e Silvia Letícia Carneiro Araújo

Historicamente a nossa imagem está estreitamente ligada aos moldes da sociedade, diferenciando apenas dos espaços e temporalidade de cada acontecimento. Pensar o corpo como um dado real e natural está cada vez mais inviável, uma vez que, as pessoas têm sua imagem associadas a corpos idealizados e manipulados pelos costumes sociais e em muitas vezes essa imagem confunde-se com a própria identidade do individuo.

Para Foucault apud Parisola (2004), “o corpo não é nada mais do que uma ideia histórica, isto é, o simples produto da construção cultural da sociedade, o corpo humano é sempre e antes de tudo uma entidade real, uma realidade material, o substrato carnal de cada pessoa”. A sociedade encara o corpo de acordo com a cultura de cada local, onde o movimento e o corpo em si são embelezados em uma cultura, já em outra são descriminados e reprimidos.

Os corpos são educados por toda a realidade que os circunda, por todas as coisas com as quais convivem, pelas relações que se estabelecem em espaços definidos e delimitados por atos de conhecimento. Uma educação que se mostra como face polissêmica e se processa de um modo singular: dá-se não só por palavras, mas por olhares, gestos, coisas, pelo lugar onde vivem. (SOARES, 2001, p.110).


A excessiva preocupação com a imagem é um fato constatado, onde o sujeito passa a julgar o outro (o diferente) como um ser inferior e não como uma pessoa que simplesmente não é igual a ela, mas sim diferente e esta característica do diferente não pode ser associada à desigualdade e sim, do que não é simplesmente igual, que se difere do outro, logo deveríamos chegar à conclusão que precisamos do diferente uma vez que, só podemos aprender com o diferente já que o igual não nos pode proporcionar algo novo. Existe hoje um verdadeiro projeto de construção e de manipulação do corpo que visa recriá-lo segundo as regras do mercado, recusando e culpalizando ao mesmo tempo os corpos que se afastam e se diferenciam dos modelos propostos. (Goffman apud Parisola, 1959; 1963).

Não se trata somente de entender o corpo como uma questão cultural ou uma prática social, o corpo é o que nos movimenta, é que nos torna homens e mulheres e que nos fazem viver e se encontrar no mundo. Porém homens e mulheres, salvos algumas exceções, aceitam os modelos de controle, de consumo e dos meios de comunicação e acreditando que “o homem deve construir seu corpo pelo exercício físico, a fim de torná-lo compacto e musculoso, enquanto que a mulher deve, sobretudo domesticá-lo pelos regimes de emagrecimento, a fim de torná-lo compacto e esbelto” (PARISOLI, 2004)

O vídeo abaixo, de uma apresentação de ballet, demonstra claramente o equívoco dos velhos¹ preconceitos de que é preciso um corpo idealizado para cada tipo de função como a dança, por exemplo, principalmente se esta dança for o balé que necessita de muita superação física de seus dançarinos e de que os corpos que se enquadram nesta dança têm que ser associados à perfeição extrema da sociedade e quem foge desses padrões recebe logo o estigma do fracasso e que não se enquadra logo não consegue realizar essa função.



O vídeo nos mostra justamente isso, que o nosso corpo é mais do que uma simples imagem codificada e manipulada, ele na verdade não pode ser limitado por esses estigmas. Nosso corpo tem por finalidade romper as barreiras das nossas limitações, superando a cada vivência os obstáculos condicionados em nosso cotidiano.

Quem poderia dizer em são consciência que um homem e este com apenas uma perna poderia dançar balé? Você acreditaria em um bom êxito do rapaz? Ou os preconceitos impostos pela nossa sociedade manipulariam sua opinião a respeito? Essas inquietas e questionamentos perpassam sempre em nossas vidas, nem que seja inconscientemente e cabe a cada um de nós compreendermos que todo ser tem capacidade de usar o seu corpo para determinada arte e como bem entender.

Portanto, podemos ter diversas possiblidades com o nosso corpo, não queremos nós referir aqui que não devemos cuidar do corpo, queremos refletir que existem opções para o seu cuidado e que não devemos utilizar do corpo para realizar testes e como uma indústria de consumo exacerbado. Cada um tem direito a ter o corpo que quer ter, optando por ser um corpo saudável e sem discriminações.

A beleza se constitui a partir de um aparato discursivo - e também de visibilidade - que reúne diferentes discursos: o da saúde, o da religião, o da moral, o do conhecer a si mesma, o da publicidade etc, que, tramados, assumem outras significações, constituem as especificidades que caracterizam o discurso sobre a beleza. Todos vão confluindo para constituição de um certo modo de ser bela (uma determinada representação), que vai desde a beleza como uma dádiva divina até a noção de beleza que enfatiza o trabalho da mulher sobre o seu corpo, no qual “só é feia quem quer”, conforme enfatizam as pedagogias culturais . (SANTOS, 1998)

Além disso, fica cada vez mais evidente o falso discurso mascarado de que existe uma sociedade contemporânea hegemônica sobre o corpo considerado belo e “sarado” com a exaltação do slogan da cultura da aparência. No entanto, o corpo humano não se limita a essa sistematização que nos foram impostas pela nossa educação. Com isso se faz necessária, criações de várias possibilidades que visem ampliar as suas diversidades de manifestações prazerosas que nosso corpo pode vivenciar.

¹ Serão realmente velhos ou ainda persistem em nossa sociedade capitalista.

Referências:
PARISOLI. Maria Michela Marzano. Pensar o corpo. Petrópolis. Editora Vozes: 2004.
SOARES, C. L. Imagens da educação no corpo. Campinas: Autores Associados, 1998
Site: http://www.brasilescola.-influencia-midia-sobre-os-padroes-beleza.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Corpo, corpos e identidade

Alunas: Stefany Alves Saraiva

Referência: PARISOLI. Maria Michela Marzano. Pensar o corpo. Petrópolis. Editora Vozes: 2004.

Nos tempos de hoje o corpo humano tornou-se templo de adoração para muitas pessoas. Muitas pessoas estão atrás do corpo perfeito, um corpo que “não é seu” de fato, não é seu corpo real. O corpo hoje, se tornou “um objeto de manipulação e de encenação.”

O corpo humano vem sendo modificado de acordo com os critérios da sociedade. O que é proposto pela sociedade é um corpo magro/esbelto sem nenhum defeito. O ser humano nasce de um jeito e com o passar do tempo ele é modificado, para ir a busca do corpo perfeito.

"Segundo Butler, por exemplo, o corpo é um texto escrito pela cultura e o único modo de opor-se à cultura é desconstruir este texto produzindo um texto novo. Segundo Bordo e Hekman, ao contrário, o corpo não é um texto, mas é antes uma página sobre a qual a cultura escreve seu texto.” (p. 29)


Muitas pessoas sonham tanto em chegar ao corpo musculoso/esbelto/perfeito, que ficam sem controle atrás da sua meta. Isso acontece, pois (como já foi dito anteriormente) a sociedade impõe o modelo ideal, que é o corpo: forte, jovem, musculoso e firme, um corpo que “esconda” os sinais do tempo. A mídia influência demais com propagandas que mostram pessoas com corpos perfeito-magro/musculosos, e depois mostram o por que aquela pessoa ser daquele jeito, seja por algum medicamento ou aparelho de musculação. Então as pessoas acham perfeito e e vão atrás daquele corpo perfeito, chegam até ficar paranóica com isso.

Análise reflexiva dos vídeos vistos em sala

Alunas: Regirene Peixoto de Araújo da Ponte e Layanna

Escolhemos três dos vídeos vistos em sala de aula para análise e, como critério para a escolha buscou-se trabalhar as diversas formas de pensar o corpo, tanto em uma dança popular como em uma dança dita clássica ou mesmo em um momento de trabalho. Nos três momentos, percebemos uma manifestação corporal que traduz não somente o que o individuo está buscando expressar, mas o contexto cultural em que se insere.

Iniciando a análise pelo vídeo do balé clássico, vale ressaltar, que se trata de uma dança que teve origem nas cortes da Itália renascentista durante o século XV que se desenvolveu ainda mais na Inglaterra, Rússia e França. As apresentações são realizadas principalmente com o acompanhamento de música clássica. É um tipo de dança influente a nível mundial que possui uma forma altamente técnica. Este gênero é muito difícil e requer muita prática. Com muita leveza e propriedade a bailarina percorre o palco demonstrando leveza e técnicas incríveis. É uma dança bonita e de fácil admiração.



O segundo estilo de dança escolhido foi o Funk, mais especificamente do Funk Carioca que é o estilo predominante aqui no Brasil. Manifestação ligada as favelas do Rio de Janeiro, o Funk veio para o Brasil influenciado por um novo ritmo da Flórida. Os bailes, festas ou discotecas que tocam Funk carioca, são realizados em clubes do subúrbio da capital, expandiram-se a céu aberto, nas ruas, onde as equipes rivais se enfrentavam.



De um lado temos a dança que surge na realeza e de outro temos a dança popular que tem sua origem nas periferias. Um estilo exclui pessoas pelo seu estereótipo ou classe social, o outro inclui toda uma comunidade de pessoas marginalizadas. Ambas são manifestações do corpo e estão respaldadas na cultura de um povo. Não podemos deixar de perceber que certas modalidades fogem do que muitas vezes acreditamos como “correto” para a sociedade em que vivemos, no entanto, é justamente a diferença, a diversidade, que torna esse universo do corpo tão rico.

O vídeo de Charles Chaplin visa fazer uma análise a respeito do tratamento que damos ao corpo no contexto de uma sociedade industrial e tecnicista. Exasperado pela rotina de trabalho mecânico, o vídeo nos mostra como as pessoas se submetem a viver em ritmo alucinante, sem qualidade de vida com seus propósitos irracionais. Evidencia que a velocidade da máquina não pode ser a velocidade do ser humano.



O esforço humano em trabalhar dentro de um sistema de repetição mecânica, contínua e cronometrada acaba por levar as pessoas a não dar importância aos limites do corpo. Os mais fortes acabam sobrevivendo como se fossem máquinas. O que caracteriza o ser humano é a somatória de ações que se desenvolve em relação ao seu corpo. O ritmo de vida se torna cada vez mais frenético e o corpo sofre as consequências. O relacionamento do corpo com as tecnologias e com as máquinas gera um desconforto desses corpos nessas máquinas.

A única solução para tudo isso é mudarmos radicalmente nossos valores, pois os movimentos expressivos do corpo identificam a necessidade natural que o ser humano tem de expor seus sentimentos e pensamentos de forma sistematizada ou não, evidenciando o espírito artístico ou simplesmente como forma de lazer.

Somos sempre convidados a conhecer o próprio corpo e explorar as possibilidades de gestos e ritmos corporais e utilizá-los em situação de interação. Podemos verificar que a maneira como o corpo é percebido se altera constantemente de acordo com sua história e suas formas de pensar. O corpo por meio de seus gestos e da intenção dos movimentos revela a maneira como um povo se comporta e se relaciona. Nesse artigo tratamos o homem em relação a seu corpo e as repercussões destas relações com o corpo, considerando - o como um todo, que engloba matéria e espírito, intelecto e emoção.

domingo, 10 de julho de 2011

Recreio ou Intervalo

Alunas: Andrea Nogueira de Moura e Marinalva Evangelista Moreira

Quando você ouve a palavra recreio, o que vem em mente?
Na minha mente, aparecem crianças.
Quando você ouve a palavra crianças, o que vem em mente?
Na minha, movimento, muito movimento.
Acho que poucos procuraram no dicionário o que significa recreio, eu fiz isso.


RECREIO
s. m.
1. Passatempo, divertimento.
2. Tempo concedido aos escolares para brincar.
3. Lugar onde esse tempo (de brincar)* é passado.
4. Por ext. Prazer; deleite.
5. Lugar ameno, agradável.
FONTE: http://www.priberam.pt/dlpo/default.aspx?pal=recreio
*grifo meu.


Acabo de entender porque, quando crescemos, o "recreio" vira "intervalo".
Ontem, vi um vídeo que criticava àqueles que inibem o movimento da criança.
A criança, por ser um ser ativo, criativo, vivo e novo, tem sua necessidade de descoberta.
Uma dessas descobertas é o movimento.

Imagine o quão bom é quando se percebe que é possível ficar de pé.
E depois andar E depois correr.
E depois pular.
E depois explorar tudo isso. E depois ouvir: - Menino, fica quieto!

É aí que entra o intervalo e acaba o recreio.
É aí que some a equação: RECREIO = CRIANÇA + MOVIMENTO.
Quando aparece o intervalo, tudo fica chato, tudo fica inerte.

O corpo do aluno

Alunas: Danielly Oliveira e Milena Castelo Branco

  

 Na Educação Infantil devemos valorizar a  exploração natural da criança, cada movimento é uma aprendizagem e cada faixa etária corresponde a certo nível de resposta pela criança, de representação e, portanto faz-se necessário que sejam respeitados os seus limites e curiosidade pessoal. Utilizar a linguagem - movimento: contribuir para seu desenvolvimento fazendo a criança sentir suas dimensões, conhecendo a si próprio  e dessa forma interagir com o mundo, mas sobre tudo vivenciando a motricidade no corpo estimulando assim o desenvolvimento dos esquemas corporais psico-afetivos e educacionais.
   As crianças que observamos nas imagens estão vivenciando a experiência motora em lugares tranqüilos onde possam ser livres, onde possuem autonomia sobre seus corpos a ponto de descobrirem seu potencial criativo e expressivo, tomando consciência de seus corpos e reconhecendo-se. O corpo é aproveitado de forma adequada em movimentos amplos, constantes, diversos de expressões de acordo com as prioridades de cada criança. A alegria se expressa em seus corpos sem que precisem verbalizar, são externados movimentos que refletem sua inteligência ilimitada fazendo uma relação do corpo com a alma, comunicando-se, transformando-se... é um espetáculo ver as crianças nesses momentos, sendo tão livres quanto possam ser.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Profissão: Psicomotricista

Alunas autoras: Ivna Melo Gonçlves e Maria Leidiane Mendes Pereira

Essa entrevista foi proposta com o objetivo de conhecer um pouco sobre o universo desse profissional, passar mais informações sobre como é a psicomotricidade na escola, bem como a sua importância nas fases motora e cognitiva, e também como ela pode influenciar no processo de aprendizagem da criança.

A psicomotricidade é um fator essencial e indispensável ao desenvolvimento global e uniforme da criança, visando ao conhecimento e ao domínio do seu próprio corpo. A partir da entrevista que fizemos com a professora Graziele em uma escola particular de ensino infantil pudemos perceber a importância da psicomotricidade na escola. Ela é formada em Educação Física, especializada em educação física escolar e está fazendo especialização em psicomotricidade na Universidade Estadual do Ceará. Trabalha há um ano e meio nessa escola como psicomotricista.

Durante o processo de aprendizagem, os elementos básicos da psicomotricidade são utilizados com frequência. O desenvolvimento do Esquema Corporal, Lateralidade, Estruturação Espacial, Orientação Temporal são fundamentais na aprendizagem. De acordo com a professora, sem esses elementos, a criança poderá ser prejudicada e não terá uma boa aprendizagem. Através de atividades motoras a criança aprende com segurança o reconhecimento do seu corpo e desenvolve a sua autonomia, noção de regras e o contato físico com os outros, muito importante para seu convívio social.

A partir dessa entrevista chegamos à conclusão que a psicomotricidade, oportuniza as crianças condições de desenvolver capacidades básicas, como aumentar o seu potencial motor, utilizando o movimento para conseguir alcançar de forma mais elaborada, aquisições que marcam conquistas importantes no universo emocional e intelectual.


Entrevista
1- O que é a psicomotricidade para você?
“É um trabalho voltado para o desenvolvimento físico e mental, através do lúdico. O que proporciona o aprender e o desenvolvimento com mais absorção e segurança.”

2- Como surgiu o seu interesse por psicomotricidade?
“Na faculdade, como disciplinas como essas que vocês estão estudando. Porque além de trabalhar aqui, sou professora de dança e ballet, e tenho maior afinidade com crianças, adoro trabalhar com elas.”

3- Como você vê a psicomotricidade desde o inicio ate hoje?
“Vejo que só avançou. Acredito que os estudiosos como vocês conhecem Piaget, Wallon e Vigotsky, contribuíram bastante com suas teorias sobre o desenvolvimento da criança, suas fases. O que proporcionou mais interesse para as pessoas estudarem a psicomotricidade e com isso estamos ganhando espaço.”

4- Como se dá as aulas?
“Faço planejamento, no inicio do bimestre o primeiro passo é o reconhecimento da criança e do seu corpo. Depois as aulas vão acontecendo de acordo com o desenvolvimento da turma. Também recebo casos específicos como crianças com deficiência (autismo, síndrome de down e atrofia muscular) onde é necessário uma maior atenção e diferenciação das atividades.”

5- Você tem algum espaço específico aqui na escola?
“Trabalho em diferentes espaços da escola, poder ser aqui na brinquedoteca, ou na sala de aula mesmo, no pátio. Aqui (brinquedoteca) não é muito bom, porque tem muitos brinquedos que chamam a atenção deles e isso desconcentra. Mas depende muito da aula.”

6- Você acha que o brincar está acabando?
“Um pouco. Por causa da tecnologia e isso prejudica no seu desenvolvimento motor. Já vi casos de crianças aos oito anos não saber correr! Um dia trouxe o “pega-varetas” e eles não sabiam o que era, todos adoraram!”

7- Quem tem aulas de psicomotricidade pode ter uma diferença de desenvolvimento motor e cognitivo, em relação à criança que não tem?
“Com certeza. Eu vejo a diferença, a criança que tem aulas de psicomotricidade tem mais facilidade em se locomover e se expressar. A que não tem eu até consigo reconhecer alguma dificuldade motora e também para se relacionar com outras crianças.”

8- O que você trabalha especificamente nas crianças?
“Atividades psicomotoras como equilíbrio, coordenação ampla e fina, noções de espaço temporal, noções de corpo, ritmo e tonicidade.”

9- Qual a sua opinião a respeito do reconhecimento do profissional da psicomotricidade na escola?
“É uma área muito difícil. Existem poucas escolas que contratam, pois não existe uma lei que obrigue a contratar. A psicomotricidade é muito confundida com recreação, acham que é apenas para brincar. Então muitas escolas fazem da própria professora de sala ser um. Mas tenho certeza que um dia isso vai mudar.”


Pensando o corpo

Alunas autoras: PRISCILLA DE AQUINO FERNANDES E CELLINE MARIA SOUSA ARAUJO

O que se pode ver na sociedade atual é que o corpo está mais voltado para o físico sem levar em conta o mesmo como inteiro; que sente, vê e pensa. As pessoas não se preocupam mais com o bem-estar do corpo, de se sentirem livres da forma que acharem melhor, sem seguirem modelos pré-estabelecidos. A sociedade de hoje faz com que nos preocupamos mais com a estética do corpo deixando de lado o mais importante, a tranqüilidade de sermos livre em nossas escolhas.

É assim que a autora do texto retrata o que a sociedade pensa sobre o nosso corpo. Segundo (MARZANO), o corpo tornou-se um objeto de tratamento, de manipulação e encenação. O corpo para a autora nos dias de hoje, é tratado como um objeto. A sociedade busca um corpo perfeito, usando assim milhares de meios que a tecnologia conjuntamente com o mundo capitalista nos oferece, como as academias, centros de estética, salões de beleza e etc. Ter o corpo ideal significa nos privarmos de certas coisas de fazer ou até mesmo de comer para seguir o modelo do corpo idealizado, o que podemos ver nos famosos da televisão, pessoas felizes, aceitas e de bem com a vida a partir do corpo que possuem.

Segundo a autora o corpo sempre passou por mudanças seja nos valores e nas crenças do decorrer da história da nossa sociedade. De fato, isto é verdadeiro. A sociedade de antigamente não ligava muito para a estética do corpo. Pelo contrário, a beleza das mulheres do passado, eram as mulheres que não tinham uma aparência tão “bonita”, falando nos padrões de beleza de hoje em dia, ser cheinha era sinônimo de estar bem. No caso masculino o mesmo atualmente para seguir os padrões de um corpo perfeito, tem que está submetido à academia, a exercícios contínuos de sustentação dos músculos, que dão ao homem o respeito e a segurança de si próprios, ou seja, que mostram sua virilidade e o controle de sua vida.

O modelo ideal de corpo hoje é a parte externa do mesmo. Isso acontece porque somos cercados por todos os lados, a ver ou ouvir o que propagandas, panfletos, fotos e até mesmo músicas dizem sobre o corpo perfeito que tudo tem e que pode tudo. A mídia nos faz acreditar que o modelo de corpo ideal seria aquele modelo de corpo bem escultural como vemos nas propagandas, os remédios milagrosos que diz: perca até 10 kg em um mês.

Como podemos também ver as cirurgias estéticas estão altamente acessíveis a população de classe média. Atraindo assim pessoas que por facilidade ou necessidade tem que seguir o corpo padronizado, para poderem ter lugar na sociedade. Isso realmente faz com que a população, em geral, as mulheres, “caiam” nesta propaganda e acabem comprando o produto por conta do conceito de corpo que é dado hoje em dia.

Hoje, segundo a autora, o principal inimigo para a nossa sociedade, é a gordura, a flacidez. A gordura deve ser retirada, a barriga deve ser um “tanquinho”. Ninguém quer envelhecer, usando-se os produtos anti-rugas, que em um mês de tratamento, você nota a diferença. Hoje não temos mais aquele conceito de que somos feitos para nascer, crescer, reproduzir e morrer. Hoje, o conceito seria uma vida de sermos eternamente jovens, infelizmente ligados sempre a mídia. A mídia é quem diz o que comemos, o que vestimos e o que bebemos.

Concluímos então que desde a infância somos condicionados a seguir modelos, vemos mais isso no universo feminino, por exemplo, as bonecas Barbie’s que nos dias atuais estão presente na vida de todas as menininhas do mundo inteiro, seja ela rica ou pobre. Nossas crianças só aprendem culturalmente ou materialmente o que a elas são apresentados. Por conseqüência se apresentamos músculos e magreza para elas, será isto que elas apreenderão, mas se mostrarmos um corpo inteiro, por completo, cheio de desejos, vontades, cheio de expressão e vivacidade, em fim cheio de expressividade, será isto que elas seguirão.

Então nós como educadores, mais do que nunca, devemos deixar nossas crianças livres para se descobrirem, mas, mais do que isso podemos ser mediadores no processo de conhecer o corpo não só como um padrão a seguir, ou privar movimentos, podemos auxiliar a criança a se sentir como um todo, no seu jeito imperfeito de ser, mas com sua singularidade, sua personalidade.

Bibliografia
Pensar o corpo - Maria Michela Marzano-Parisolli