terça-feira, 25 de outubro de 2011

ATENÇÃO!


Olá turma,
 
Informar que, infelizmente, NÃO HAVERÁ aula hoje, terça-feira, dia 25 de outubro!
Envie os fichamentos por e-mail. E entregue as reflexões na próxima aula, impresso!
 
Por favor avisem aos colegas!
 
Um abraço e até próxima terça!
 
Carol Costa Bernardo

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Quem somos? Quem o outro é?

Alunas: Nívea da Silva Sales e Rita de Cássia da Silveira 



 Somos um corpo que está em constante busca pelo autoconhecimento. Um corpo que busca aparências e ao mesmo tempo foge dela, quando nos percebemos como um corpo que sente, um corpo que ri, que chora, que vive! 

Conhecer o corpo, é descobrir que corpo somos e nos debruçar sobre ele enquanto indivíduo, é perceber que está além do físico, da matéria, pois esse corpo possui uma alma, uma personalidade, uma forma própria. O melhor modelo que podemos usar como metáfora para a compreensão do corpo é a pupa da borboleta, que não é exatamente a própria borboleta, mas sim a sua forma de existência temporária. Enquanto está dentro do casulo, a borboleta é a crisálida, porque vive nela e através dela, embora aquela forma larval nada tenha a ver com o inseto colorido que alegra os jardins, voando de flor em flor em busca do néctar. 

Ou seja, associando a ideia de quando o inseto sai do casulo, percebemos que o corpo é uma forma de existência temporária, onde temos de passar por experiências sob forte pressão existencial, e são as próprias necessidades básicas e fisiológicas para a conservação do corpo que definem grande parte de nossa existência, que gira em torno da manutenção dessa forma biológica frágil e instável. 

São poucas as pessoas que percebem como é fútil a construção de tantas vaidades e ambições numa base existencial tão vulnerável e transitória. Precisamos ser além de meros sinais diacríticos, pois são sinais que "estabelecem uma diferença de sentido e significado, apesar de serem, em si mesmos, desprovidos de sentido ou significado.” (ALMEIDA, 1996). Precisamos romper com as barreiras sociais que não nos permitem conhecer o nosso próprio corpo, nem o corpo do outro e acabamos criando um muro que não nos deixa enxergar para “além das origens”. 

Através da “libertação” dos “pré-conceitos” que existem dentro de nós, vamos nos tornar mais abertos e livres para aceitação do nosso corpo, do corpo do outro, e assim, passaremos a conhecer que corpo somos, corpos esses que são “(...) o lugar de representação da própria ‘alma’.” (ALMEIDA, 1996). 

Nosso corpo é marcado pelos acontecimentos da vida, onde todos os pensamentos e sentimentos constroem esse corpo e cada ideia é uma resposta corporal. O corpo “(...) é o interface perfeito entre natureza e cultura, entre indivíduo e sociedade, entre autonomia e regulação.” (ALMEIDA, 1996). Sendo assim, o corpo passa a ser visto, também, como um produto do meio, um produto influenciável, que está em constante processo de construção. 

Não é necessário emitir sons para que ocorra a fala, porque o próprio corpo, em si, fala. “O corpo manifesta-se, faz o seu próprio manifesto. Nas doenças, nos êxtases, nas depressões, nas manipulações de que é alvo, no amor, numa mudança de sexo, numa dança, numa greve de fome. O corpo pede política e a emancipatória. Por isso, é altura de, para além do corpo que se manifesta, construir um Manifesto do Corpo.” (ALMEIDA, 1996, p. 16) 

Sendo assim, percebemos, sobretudo descobrimos, com essa reflexão, que não somos corpos isolados no tempo e espaço, mas uma unidade complexa em convivência, que precisa se manifestar para a descoberta do próprio corpo, que é construído pelo espaço vivido, mas que não pode esquecer que o SER é mais importante que o TER. 

Por saber que a nossa vida é um palco de aprendizados, precisamos adquirir a lição, prestando atenção nos sinais transmitidos pelo meio e no ritmo da natureza. Nosso corpo está em constante processo criativo, sendo uma fonte de recursos para atingirmos a nós mesmos. Então, “Que Corpo Somos?” Somos um corpo que pensa, que age, que descobre, que se esconde, que ri, que chora, que ama, que odeia, que luta, que desiste, que fala, que cala, e que, sobretudo, está em constante processo de autoconhecimento!

Corpo e dança: reflexões sobre educação


Alunas: Ana Keilla Conceição de Oliveira e  Keysianne Gondim Costa

Quando pensamos em nosso corpo, imaginamos algo separado de nossa mente e de nossa história. Fomos habituados a deixar os discursos externos ao nosso corpo, moldar o que devemos ser e aprisionar nossas emoções, nos fazendo esquecer nossas experiências. Nossa sociedade nos educa através de uma cultura de imobilidade, talvez nem saibamos de todas as possibilidades que o nosso corpo pode ter.

Através da dança, é possível haver uma reeducação deste corpo. É através dela que podemos aprofundar o conhecimento e o sentimento da história dele. Dançar com os sentidos e pensamentos aguçados, trará uma maior consciência dos nossos ossos, dos nossos músculos, de suas articulações e da relação entre eles e nossa pele. Podemos vivenciar nossa coordenação, qualificar nossa força, respirar melhor e aceitar nosso próprio corpo, pois não podemos fugir dele.

Quando aceitamos nosso corpo e deixamos ele se manifestar como um todo, organicamente, psicologicamente e afetivamente, mudamos nossa relação com o mundo e isso age de forma terapêutica em nossas vidas. Essa possibilidade de manifestação nos leva a encontrar nossos próprios fluxos de intensidade e criação artística. Criando e recriando possibilidades dentro de nós mesmos, podemos encontrar novas possibilidades de se relacionar com o mundo.

Hoje a educação de nossa sociedade engessa nossas possibilidades. Parece tarefa incansável da escola, nos transformar em reprodutores de idéias. Nossa mobilidade, nossa criação e nossos sentimentos, são controlados de maneira que não podemos nos expressar.

Como educadores, podemos utilizar a transversalidade da dança, da terapia e da educação para potencializar essas possibilidades artísticas em nós e em nossos alunos. Mesmo se tratando de áreas singulares, a terapia tratando dos impedimentos psíquicos da realização da potencia humana; a arte como expressão de nossas emoções e a educação como interiorização do conhecimento da humanidade; podemos encontrar pontos de encontro e recriação de um novo tipo de sensibilidade e atitude pedagógica.
Reeducar é realizar a difícil tarefa de deixar o outro aprender, despertando o sentido da ação germinadora. É permitir, com seus próprios recursos e empenho, metamorfoseie muralhas em portas, só aí o sentido generoso da educação se revela.”



Referência
MARZANO, Maria Michela. Pensar o corpo. Petrópolis, RJ: 2004. (p.23 – 44)

Corpo real – Corpo ideal


Francisco Souza da Costa e   Onésima Patricia Mendes dos Santo

Segundo Marzano (2004), pensar o corpo no contexto social cultural contemporâneo, tem-se que diferenciar o corpo real do ideal, pois o corpo traz marcas e significados impostos e aceitos pela sociedade em que ele está contextualizado. Segundo Foucaut, o corpo não é nada mais do que uma ideia histórica, isto é, o simples produto de construção cultural da sociedade, o corpo humano é sempre e antes de tudo, uma entidade real, uma realidade material, o substrato carnal de cada pessoa.

O corpo real perde espaço para o corpo ideal, sendo o segundo um corpo idealizado e fruto de uma sociedade, que procura impor e cultuar um corpo desumanizado e desnaturalizado, e o dita como sinônimo de saúde, poder e liberdade, ocultando a realidade.

Hoje a sociedade procura a cultura do corpo ideal, sob os critérios estéticos e éticos, procurando controlar esse corpo com a finalidade de caracterizá-lo como regra geral, contrapondo-se ao corpo real, e esse corpo manipulado e recriado tenta parecer ser valorizado, mera aparência, pois ele “oculta a depreciação de sua materialidade e a neutralização de sua realidade” (Marzano,2004, pg. 26).
O corpo é natural e real, não podemos colocá-lo apenas como produto formado pela sociedade, mesmo com suas mudanças através dos tempos, ele não deixa de ser o instrumento do qual o ser humano vivencia com o outro e socializa-se com o meio social. 

O corpo é materializado, seguindo tendências, a dita moda. O indivíduo não nasce como a sociedade quer, então como no photoshop ele escolhe uma imagem ideal, se adéqua a ela, nem que isso custe muito dinheiro ou sua saúde. Chega a virar compulsão a ditadura da beleza, onde o individuo age de forma domesticada. Caso ele fuja das regras sua ação é tida como falta de controle.

O controle é um objetivo a ser cumprido, seguindo aspectos físicos, comportamentais e emocionais. Essas regras alcançam a homens, mulheres e crianças, seguindo uma ordem desordenada, onde a criança quer ser adulto, o adulto que ser jovem e ninguém quer ficar velho.

Esse domínio vai além da preocupação com a idade, parece que a ordem é não estar satisfeito com sua aparência. Se estiver gordo sou desmazelado, se sou magra demais sou anoréxica, se sou forte demais sou exagerado, se tenho muitas curvas estou gorda, ou seja, não há se quer de fato um padrão perfeito, porque todos os padrões impostos são desmistificados de alguma forma. O que na verdade a sociedade consumista quer é que busquemos sem cansar uma tal perfeição que não conhecemos, pois na verdade não existe perfeição.

O padrão impõe a manipulação do nosso corpo. O ser acaba assim domesticando o próprio corpo para a sociedade, como se sua personalidade inexistisse. A partir disso o ser faz uma avaliação dos indivíduos que não seguem o mesmo modelo identificando e avaliando de forma negativa, fazendo um julgamento moral sem reconhecer que o normal não é diferente, e que o diferente na verdade são aqueles que mudam suas fisionomias sem levar em conta aspectos relevantes a sua realidade.

Há uma subjugação de idealidade onde maior parte das pessoas modificam sua natureza (cor da pele, dos olhos, cabelos) de maneira uniforme, onde não há mais exclusividade, diferenciação, o que encontramos são seres que seguem esse padrão de perfeição, na qual, o seu não aceita e não resiste. Alguns não se importam nem com os limites do seu corpo, vai além de tudo isso, chegando a se tornar ridículos.

Essa não aceitação é impregnada na cabeça das crianças pelas mães de forma que a infância é deixada de lado, a brincadeira é direcionada para um contexto de adulto, onde a menina é mamãe e o menino é papai, médico, policial. As mães parecem que não gostam de curtir essa fase, é um sentimento de livramento.
Os corpos acabam que se tornando todos iguais. As pessoas se identificam com essa materialidade e fazem dela sua marca e personalidade. “(...) o corpo é como tal uma parte de cada pessoa, sendo ao mesmo tempo um objeto do mundo.” (Le Breton,199) Pág.44
Referência
MARZANO, Maria Michela. Pensar o corpo. Petrópolis, RJ: 2004. (p.23 – 44)

Do Corpo da Carência ao Corpo da Potência: Desafios da Docência Entrevista


Dupla: Isabelle Alexandre Carneiro e   Natali Mourão Coelho

Essa entrevista é uma das atividades exigidas na disciplina de Corporeidade e Psicomotricidade na Educação, do curso de Pedagogia da Universidade Estadual do Ceará (UECE), ministrada pela professora Carol Costa Bernardo. As perguntas que compõem a entrevista estão relacionadas ao estudo do texto “Do corpo da carência ao corpo da potência”, escrito por Azoilda Loretto da Trindade, professora, pedagoga e psicóloga. Doutoranda em Comunicação pela Escola de Comunicação Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO/UFRJ).

Nossa entrevistada é uma professora de Ensino Fundamental I, Eliete, estudante, cursando o 6º semestre de pedagogia na Universidade Vale do Acaraú, ela ensina uma turma de 2º ano pela manhã e outra de 5º ano à tarde numa escola particular de pequeno porte no bairro Messejana. Solteira, residindo em Fortaleza, a professora ainda mora com seus pais, Sua mãe foi responsável por sua educação, ensinando-a e conscientizando-a do valor que a educação tem para a vida.

Em seu texto, Azoilda procura compartilhar suas percepções e reflexões acerca do corpo, dos conceitos e das práticas que o envolvem em sala de aula. Ela nos faz atentar para as perspectivas que nós, educadores, temos e tudo o que queremos e conseguimos passar para nossos alunos sobre o assunto em nossa prática.

Através da narração de alguns fatos ocorridos em escolas, a autora nos faz refletir sobre preconceito, discriminação e racismo e nos mostra que devemos ajudar as crianças a construir conceitos de corpo, sem discriminações.

Como podemos observar na entrevista, a professora Eliete não apresenta um conceito de corpo livre de discriminações, quando perguntamos sobre concepção de corpo, ela respondeu apenas sobre seu estado físico, dando como resposta: “nem gorda, nem magra”. 

Pudemos inferir, que a professora não tem uma visão de corpo além do seu próprio corpo. Isso é uma realidade comum vivenciada por grande parte dos professores, que contribuem dessa forma, para uma pedagogia da carência, da falta, dos estereótipos. Já que temos uma educação que nega o corpo de uma vivencia criativa e de movimento.

Nós, professores devemos nos afastar dessa pedagogia centrada na obediência, na reprodução de valores que torna os alunos submissos e os condena a não-aceitação do próprio corpo. Temos que ter coragem para enfrentar e trabalhar uma pedagogia de acolhimento, que aceite as diferenças para construir um comportamento, uma visão de corpo que respeite a diversidade cultural que existe em nossas escolas, em nossa sociedade como um todo.

TRINDADE, Azoilda Loretto da. Do corpo da carência ao corpo da potência: desafios da docência. In: GARCIA, Regina Leite (org.). O corpo que fala dentro e fora da Escola. Rio de Janeiro: DP&A, 2002.

Segue entrevista >>


1.    Quem é você? Quando e onde nasceu? Onde vive? Quem, em casa, foi responsável por sua educação?
Me chamo Eliete, nasci no dia 28 de novembro de 1980. Moro em Messejana com meus pais e duas irmãs. Minha mãe sempre foi responsável por minha educação, sempre paciente e conscientizando que a educação é uma das bases da vida.

2.    Qual o seu nível de escolaridade?
Estou cursando Pedagogia, 6º semestre.

3.    Qual a sua concepção de corpo?
Nem gorda, nem magra.

4.    Qual a sua cor/ raça?
Morena (parda)

5.    Como você percebe e vê seu corpo?
Estou satisfeita, pois não estou com um corpo muito gordo nem magro

6.    Que recordações você tem de sua infância em relação ao seu corpo? Sofreu algum tipo de discriminação? Qual? Como se sentiu?
Quando eu era pequena, sempre fui gordinha, e nunca ninguém me discriminou por isso.

7.    No ambiente escolar, já percebeu entyre alunos e professores algum ato de discriminação em relação ao corpo? Como aconteceu?
Nunca presenciei algo parecido.

8.    Na sua prática pedagógica, como você percebe o corpo de seu aluno? E como você trabalha a diversidade de corpos e culturas dentro da sala de aula?
Meus alunos estão no mesmo patamar, eles tem os corpos um pouco parecidos, mas se houvesse alguém mais gordo ou magro, procuraria mostrar que as diferenças existem e que nem todo mundo é igual e que devemos saber respeitar cada um.

9.    Você capta a bagagem social e cultural presente nos corpos dos seus alunos e planeja sua prática baseada nisso?
Nunca pensei nessa posição.

10. Qual o seu sentimento em relação a uma pedagogia centrada na obediência e no medo? Como essa pratica afeta os corpos discentes?
Acredito que uma pedagogia assim não terá muito resultado, deve haver respeito por parte do professor x aluno, aluno x professor ou coordenador x professor e professor x coordenador. Se houver esse respeito o trabalho será mais satisfatório.

11. Como você acredita que seria uma pedagogia capaz de tornar os alunos “senhores dos seus próprios corpos”?
Seria bem legal pois estaríamos trabalhando as nossas limitações e aceitação consigo mesmo e com o próximo.
           

Reflexões a partir do texto Do corpo da carência ao corpo da potência de Azoilda Loretto


Alunas: Valdiléia da Silva Pires e Ângela Rafaelle


 A partir do texto lido podemos refletir um pouco sobre as práticas educativas exercidas dentro do ambiente escolar. Percebemos que essas práticas têm interferência na maneira como essas crianças desenvolverão suas capacidades pessoais e como se socializarão com os outros corpos que farão parte de seu convívio social.

Segundo a autora:

Não somos boas ou más, somos pessoas, somos humanas, e, como a violência desta humanidade vai de Gandhi a Hitler, podemos ser perversas, cruéis, intolerantes e até nos esquecermos da nossa responsabilidade de docente e de que, muitas vezes, o corpo da criança fica desamparado diante de ações tirânicas de corpos adultos, sobretudo quando este corpo adulto é docente.

Para que possamos exercer o papel de docentes capazes de interferir positivamente na vida de nossos alunos, precisamos primeiramente nos reconhecer como corpos que se diferem dos demais. Conhecer, aceitar e trabalhar nossas limitações. Admitir e perceber que as diferenças existem, tentando compreendê-las e respeitá-las.

 Nosso verdadeiro papel na educação não é moldar os alunos ao que é considerado o padrão “normal” da sociedade, mas sim, contribuir para que esses corpos consigam se expressar livremente, superando suas possíveis limitações sem ter que se moldar a algo imposto pela sociedade, respeitando as diferentes expressões dos outros corpos. Talvez dessa maneira possamos nos aproximar de uma pedagogia da potência.

Vivemos em uma sociedade repleta de diferenças que manifestam-se nos diferentes corpos que formam esse meio no qual estamos inseridos e em constante interação. A partir desta reflexão montamos um painel de fotos com alguns corpos que expressam algumas das principais diferenças presentes em nossa sociedade. Visualizando esses corpos percebemos que eles fazem parte do nosso cotidiano. Surge então um questionamento: Como lidaremos com essas diferenças que também estão presentes no ambiente escolar?

TRINDADE, Azoilda Loretto da. Do corpo da carência ao corpo da potência: desafios da docência. In: GARCIA, Regina Leite (org.). O corpo que fala dentro e fora da Escola. Rio de Janeiro: DP&A, 2002.

Entrevista com a pedagoga Joselma Dória Figueiredo


Alunas: Amanda Vasconcelos Bessa e Lívia Chaves Lima

A entrevista foi realizada em uma escola particular de Fortaleza com a pedagoga Joselma Dória Figueiredo, especialista em psicopedagogia e psicomotricidade, com o objetivo compreender a visão de uma pedagoga sobre corpo, movimento e educação.

Os movimentos expressivos do corpo identificam a necessidade natural que todo ser humano tem de expor seus sentimentos e pensamentos de forma sistematizada ou não. Segundo Silvana Vilodre, o movimento do corpo se afirma através do conhecimento de si mesmo, portanto o corpo manifesta a identidade, através das diversas intervenções impostas por nossa cultura.

Segundo Michel Foucault, a problematização do corpo que determinadas culturas atribuem são estabelecidas para o controle da sociedade sobre o indivíduo, assim, estranhá-lo e colocá-lo em questão sem entender seu significado e sem valorizá-lo faz parte das representações que foram criadas para perseguir um ideal de beleza muitas vezes inalcançável.

O ideal de beleza que a maioria das pessoas almeja é aquele que a mídia supervaloriza. Ideal que muitas vezes é virtual e não pode ser alcançado, pois existem programas de computador que melhoram a aparência da pele, as formas do corpo, ou seja, segue-se um referencial que de fato não existe. Indivíduos que não estão dentro desse padrão de “corpo ideal” podem até se sentir bem com o próprio corpo em determinado momento da vida, entretanto passam a buscar esses padrões para se encaixar em determinadas representações, e muitas vezes para ganhar destaque em seu meio social.

O conhecimento do próprio corpo é muito importante para que cada indivíduo se sinta bem com sua forma, pois a partir do momento em que existe uma relação de satisfação com o corpo, não se deixa que as influencias, principalmente das industrias de beleza e da mídia, interfiram na identidade de cada um.

Deste modo, podemos perceber o quanto é importante que se tenha um autoconhecimento sobre o próprio corpo e uma visão critica sobre os referenciais estéticos da mídia para não deixar que o exagero da individualização das aparências se torne uma referência ou uma identidade para cada um, pois cada corpo é único.


GOELLNER, Silvana Vilodre. A produção cultural do corpo. In: LOURO, Guacira Lopes; FELIPE, Jane; GOELLNER, Silvana Vilodre (Org.). Corpo, gênero e sexualidade: um debate contemporâneo na educação. Petrópolis: Vozes, 2ª ed. 2005. p. 28 - 40.

Segue entrevista >>

1.    Qual o seu nome, a sua profissão e a sua formação profissional?
Joselma Dória Figueiredo, professora, formada em pedagogia, serviço social, com especialização em psicopedagogia e psicomotricidade.

2.    O que é o corpo na sua concepção?
É o objeto primário pelo qual o homem apreende e experimenta o mundo.

3.    Em sua opinião qual a importância da linguagem corporal e como você a utiliza no seu dia a dia?
O corpo é o meio pelo qual a psique se manifesta. O corpo é capaz de apreender muito mais do que o homem é capaz de perceber. Dessa forma, a linguagem corporal é o meio no qual deposito um olhar mais atento sobre as minhas ações em comparação com as dos outros.

4.    Quais processos educativos podemos utilizar em sala de aula para que a criança adquira um autoconhecimento do seu corpo e assim, possa fazer a construção da sua identidade?
O corpo deve ser percebido a partir da metáfora do movimento. O movimento é a forma pelo qual o corpo busca se afirmar no espaço. Tudo aquilo que busca uma interação do corpo em função de sua conexão com o espaço, exige da pessoa uma reflexão sobre as suas capacidades e conhecimentos corporais.

5.    Você acha importante problematizar o corpo com as crianças para se trabalhar as diferenças?
Sim. O corpo é um instrumento de aplicação complexa. É uma estrutura modulável e intercambiante. Sua afirmação se dá pela diferença de possibilidades possíveis dentro do mesmo espaço. Sua problematização é um sintoma inerente a sua própria constituição, o corpo como objeto de autoconhecimento é um indício de particularidades e especificidades não-lineares. No cerne de sua estrutura, o corpo é em si mesmo, a sua própria diferenciação.

6.    Você concorda que a escola é um espaço que interioriza os hábitos e valores da sociedade através da educação dos corpos? Por quê? 
Sim. A escola se insere dentro de um contexto cultural e perpetua diversos aspectos da sociedade em sua rotina diária, sendo, responsável direta pela promulgação de determinados conceitos e equívocos em relação ao corpo.

7.     A televisão, as revistas, as propagandas estão o tempo todo exibindo a individualização da aparência que muitas vezes torna-se exacerbada. Você acha que essas interferências da mídia podem acabar modificando na maneira que cada um pensa sobre o seu corpo?
            Sim. A construção de um corpo perpassa por uma ideia de mimese, ou imitação. A mídia prega uma equalização de conceitos e definições  trazendo a tona toda uma compreensão equivocada por parte da sua audiência. Incidindo e propondo uma série de generalidades culturais e sociais, o corpo passa a ser visto como um elemento pré-moldado, estabelecido como material de busca comum a todos, não existindo a possibilidade de multiplicidades e pluralidades. Assim, a mídia estimula a busca por um corpo ideal, um corpo já parado e programado. O público apreende esse modelo e passa a copiá-lo no seu imaginário e em sua vida diária.

8.      Você acha que o corpo pode ser revelador da identidade de cada pessoa? Por quê?
 Sim. O corpo é a matéria do ser humano. Tudo aquilo que pode ser expressado psicologicamente (dentro) pode ser expressado corporalmente (fora). Sendo assim, o homem molda seu corpo a partir daquilo que lhe compõe.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Perceber o corpo sem estados de alma: Entrevista


Estudantes: Ana Priscila e Expedito Vital

 A entrevista a seguir compõe uma das atividades exigidas na disciplina de Corporeidade e Psicomotricidade na Educação da Universidade Estadual do Ceará (UECE). Tendo como base o texto “Pensar o Corpo”, de Maria Michela Marzano-Parisoli, elaboramos uma entrevista – seguida de análise – de inquietações decorrentes da leitura e debate acerca do tema. A entrevista foi feita com uma professora responsável por turmas de Educação Infantil (III e IV), seu nome é Jucelma. Por questões éticas, preferimos resguardar ao anonimato a instituição da qual a entrevistada faz parte. Podemos dizer, no entanto, que se trata de uma escola particular de classe média, situada em Fortaleza. A docente está se formando pela Universidade Vale do Acaraú (UVA) e atua nessa instituição há 3 anos, desenvolvendo atividades com crianças em período integral. É casada e não tem filhos. Além disso, sente-se bastante satisfeita com seu trabalho. Esperamos que as observações feitas, a seguir, possam contribuir e/ou elucidar de alguma maneira nas discussões sobre o assunto.

O corpo é, cada vez mais, foco e objeto dos mais diferentes tipos de discussão. Seja do ponto de vista biológico, cultural, social ou econômico, esta representação material do que somos tem ganhado mais e mais espaço no mundo científico-acadêmico. Para muitos autores que se dedicam exclusivamente ao estudo do tema, o corpo sempre foi visto como imagem passível de apreciação, de adoração e – por que não – de idealização de diversas culturas durante toda a História dos homens. 

Temos observado que o corpo, antes de tudo, é encarado como o nosso cartão de visitas em qualquer ambiente social que frequentamos. Ademais, é nele que expressamos as marcas históricas e culturais provenientes dos grupos ou guetos dos quais somos parte; são estes últimos os principais responsáveis pela modelagem de nosso corpo, hábitos, costumes, etc. 

Como pudemos observar na entrevista, vários são os exemplos do cotidiano em que somos influenciados e, muitas vezes, forçados a adaptar e mudar quem somos; tais aspectos estão, claramente, evidenciados no corpo. Quando crianças, há sempre alguém responsável por nos ensinar as normas de “bom comportamento”, seja conscientemente ou não. A entrevista nos mostra como os pais, mesmo sem uma formação específica, demonstram preocupação com as boas maneiras e o repasse destas aos seus filhos. Mesmo sem saber, embasados unicamente no senso comum, os mais velhos tornam-se responsáveis por reproduzir hábitos peculiares ao meio em que vivem. 

Paralelamente, o ambiente escolar, de um modo geral, acaba por continuar/consolidar ou menosprezar/estereotipar muitos destes costumes. Por estar diretamente interligada à sociedade como um todo, a escola reproduz e introjeta alguns discursos que são valorizados por determinados grupos sociais. Deste modo, assim como outros temas, o corpo se transforma em um assunto acabado, indiscutível; resta-nos, apenas, adaptarmo-nos da melhor forma possível ao ambiente com os recursos oferecidos, principalmente, pelo marketing especializado do mercado consumidor. 

Existem pessoas que lutam em sentido contrário a essa tempestade que arrasta cada dia mais adeptos. Acreditamos que o corpo é “um espaço expressivo, o que projeta para fora os significados das coisas, dando-lhes um lugar e, ao mesmo tempo, o que faz com que elas se ponham a existir como coisas sob nossas mãos e sob nossos olhos” (MARZANO-PARISOLI, 2004, p. 46). Desta forma, cada um ao seu modo, mas efetivamente, buscamos mudar o mundo que temos e torná-lo o mundo que queremos. É difícil ser minoria, mas preferimos fazer pouco na direção que entendemos como certa, que muito na direção oposta. 

Segue entrevista >>

01. Quem é você? Onde você nasceu? Onde se criou? Quais as pessoas mais importantes da sua família, na sua criação? Que recordações você tem de sua infância, suas relações, seus afetos? Como você via o mundo, que recordações você tem desses lugares e dessas pessoas? (casa, família, contextos). 

- Sou professora das turmas Infantil III e Infantil IV, nasci e fui criada em São Luis do Curú. As pessoas mais importantes na minha vida foram meus pais e, hoje, meu marido, com quem moro aqui em Fortaleza. Minha infância apesar de ter sido divertida para uma criança, foi, também, sofrida, pois minha família era muito pobre, e lá em casa éramos eu e mais quatro irmãos – uma família bem grande. Depois de ter estudado, aprendi que parte da pobreza era resultado da falta de educação que os meus pais não tiveram acesso; hoje, sei o quanto é importante a educação e, por isso, gosto tanto de ser professora.

 02. Qual o seu grau de escolaridade? 
- Estou cursando o oitavo semestre de pedagogia na UVA. 

03. Como eram as pessoas que lhe influenciaram: rígidas ou liberais? Há alguma situação marcante que demonstre isso? 
- Meus pais eram rígidos nos aspectos que achavam importantes e liberais nos aspectos que não achavam importantes, por exemplo: por não ter tido educação escolar, meus pais nos mandavam pra escola todos os dias, não pelo estudo, mas pelos benefícios que a escola nos proporcionava, alimentação e um lugar pra ficar enquanto meus pais trabalhavam. Eu estudava em uma escola pública de interior e nunca houve uma cobrança em estudar quando eu chegava em casa. Isso se dava devido aos meus pais não saberem da importância da escola e da educação, nesse aspecto eles eram bem liberais, já para nos deixarem sair de casa, brincar com outras crianças da cidade, eles eram bem rígidos! Só brincávamos com crianças conhecidas e mesmo assim sobre vigilância dos meus pais. Na época da adolescência, principalmente, meus pais foram muito rígidos. 

04. Para você, o que é o corpo? O que você faz para conhecer melhor o seu? 
- Para mim, o corpo é parte do seu ser, é onde você traz as marcas da sua vida, do que você já viveu, e seu instrumento de vivência, é ele que você vai usar, ele depende de você e você depende dele, na verdade você é ele. Olha, minha vida está tão corrida, trabalho manhã e tarde, e a noite estudo, que estou em dívida com os cuidados com meu corpo. 

 05. Você acredita que exista um padrão ideal para o corpo masculino e feminino? 
- Existe um padrão que para mim não é o ideal, que é aquele estabelecido pela sociedade. Mas, para mim, o corpo Ideal é aquele que é saudável. 

06. Qual o seu ideal de corpo? Por quê? 
- Pra mim, meu corpo ideal seria mais magro do que está hoje, mais parecido como quando eu era mais jovem, isso porque me ajudaria no trabalho, me cansaria menos e não posso negar que me sentiria também mais bonita. 

07. Você acredita que o corpo é critério de julgamento social? Você pode contar um exemplo da sua experiência de vida? 
- Sim, acredito sim! Isso é visível em entrevistas de emprego. Nessa escola mesmo você pode notar que as pessoas melhor sucedidas nos trabalhos são magras; os diretores, coordenadores e supervisores, a grande maioria, é magra. 

 08. Enquanto professora, como você percebe o corpo do outro (alunos) e tenta trabalhar a influência da mídia sobre eles? 
- Afinal, é bastante freqüente brinquedos infantis (como a Barbie, por exemplo), estimularem nas crianças um perfil apreciado atualmente na sociedade, mas, muitas vezes, extremamente prejudicial à saúde física e mental. Os pais dos alunos são os que mais tentam influenciá-los em questão ao corpo, principalmente, as meninas. As mães levam no cabeleireiro até crianças de 2, 3 anos. Todos os pais querem ter filhos no padrão que a sociedade define como bonito! Aqui na escola, nós temos duas crianças especiais, uma perfeita fisicamente, mas autista e outra que tem problema de locomoção; ela anda, porém com dificuldade, pois tem os pés enrolados, por ter nascido de 5 meses. No começo do ano letivo, notamos que a aluna autista, apesar do comportamento, foi mais aceita inicialmente pelas crianças do que a aluna com problemas de locomoção. Fomos explicando as crianças que todos eram bonitos e que era bonito ser diferente, pois se todos fossem iguais nós não vamos saber diferenciar quem é a mamãe, quem é o papai, quem é o coleguinha, e que brincar junto com um monte de coleguinha igual seria chato. Trabalhamos isso nas crianças e, hoje, as duas crianças especiais são bem aceitas pelas crianças. 

09. A escola exige dos funcionários algum perfil para o trabalho? 
- A escola oferece o fardamento, para que possamos trabalhar e somos orientadas a estarmos sempre com cabelo arrumado, sandálias novas, bem apresentadas. 

10. Você já presenciou na escola algum preconceito com relação ao corpo? 
- Já sim, mas não comigo! Uma das professoras da escola é negra, certa vez um aluno foi embora e esqueceu a lancheira na escola, a professora em questão guardou a lancheira para entregar ao aluno no dia seguinte. No outro dia, na agenda do aluno, a mãe escreveu: “Professora, o meu filho esqueceu a lancheira ontem na escola, e disse que a professora negrinha pegou. Por favor, encontre a lancheira e mande-a de volta!”. A escola entrou em contato com a mãe do aluno, que pediu desculpa a professora por ter usado esse termo com ela, e por ter dado a entender no recado que a professora teria ficado com a lancheira para si. Foi muito constrangedor para a professora que depois se sentiu com vergonha por tudo o que aconteceu, sendo que quem deveria ter vergonha era a mãe do aluno. 

 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS MARZANO-PARISOLI, Maria Michela. Perceber o Corpo Sem Estados de Alma: corpo divinizado e corpo aniquilado, pp. 23-46. In – Pensar o Corpo. Petrópolis, RJ: Vozes, 2004.

Estudo e reflexão do texto O Manifesto do Corpode Miguel Vale de Almeida.

Alunas: Julie Ane Oliveira e Marcela Ferreira

 O vocábulo corpo, termo rico de significado em nossa língua portuguesa, apresenta infinitas definições ao longo da história. No entanto, comumente ao pensarmos no corpo, somos levados quase de imediato a imagem de um conjunto de membros, isto é, a ideia meramente ‘biológica’ do mesmo. Porém, conforme vamos refletindo e tomando contato com literaturas e debates, percebemos as infinitas possibilidades terminológicas que o corpo dispõe. Objetivando um maior aprofundamento dessa discussão, tomamos como base o texto O Manifesto do Corpode Miguel Vale de Almeida , e nos propomos a explanar um pouco mais sobre a temática supracitada. 

Segundo Almeida (1996) todas as pessoas são identificadas por meio de sinais diacríticos, ou seja, através de sua aparência, ou do que ele chama de ‘sinais exteriores ancorados em seus corpos’. Assim, para o autor, normalmente costumamos rotular as pessoas por suas características corporais, classificando-as como altas, baixas, brancas, negras, loiras, gordas, magras e etc. Inclusive, em sua abordagem o primeiro exemplo citado é o de Alberto, um rapaz negro que vive em Lisboa e ao andar pelas ruas é alvo de olhares, por conta de sua aparência. 

Na situação proposta, percebemos que antes de ser reconhecido como um ser humano, Alberto é primeiramente identificado como pertencente a um grupo, no caso a uma raça. Dessa forma, compreendemos que muito mais que características descritivas, os sinais diacríticos, estabelecem uma relação de diferença de sentido e significado, e quando tratam-se de corpos são vinculados muitas vezes a rótulos que inferiorizam ou superiorizam os indivíduos. 

A maioria dos ‘juízos’ de valores são tendenciosos, e findam pelo caminho da perda da identidade, logo os indivíduos, não se veem mais como sujeitos, mas apenas como partes de um grupo no qual nem obtiveram direito de escolha por ali serem enquadrados. Como afirma Almeida (1996), ‘as categorias não estão aí apenas para ajudar a organizar a cognição – elas não são neutras ou horizontais, ou sequer simétricas’, pelo contrário são desiguais de forma a classificar uns como melhores, e outros como piores. 

Vale ressaltar, que os grupos inferiorizados geralmente são os que apresentam-se em minoria, ou fora de padrões socialmente impostos. A mídia publicitária contribui de forma significativa, para as ideias de corpo ideal, apresentado padrões que sugerem controle, desejo e fetiche. Desse modo grande parte do público consumidor ‘compra’ a ideia, e a busca pelo padrão ideal torna-se muitas vezes uma obsessão. Esse medo de ser diferente, de não ser simetricamente perfeito, e principalmente de não conseguir inserir-se nos espaços sociais, tem levado muitas pessoas a decisões extremas, onde a mutilação e cativeiro do corpo são atitudes que algumas vezes levam a caminhos sem volta.

O Manifesto do Corpo, nesse sentido vem ‘denunciar’, e atuar como verdadeiro manifesto de defesa do corpo, motivando-nos a reflexões bem além da superfície corporal. Através dos personagens ‘criados’ pelo autor, inferimos que pensar no corpo é pensar em nossas raízes e identidade, especialmente no contexto atual onde o corpo é cultuado, e a ‘indústria do corpo’ é cresce notavelmente. Assim, observar, ler e refletir sobre tal temática possibilitou-nos uma visão mais ampla acerca do que é o corpo, e essa visão estendeu-se além da ideia de corpo como produto e produção cultural. 

Nosso corpo é história, é espírito, é poder, mas acima de tudo é uma fonte inesgotável de símbolos, que simultaneamente é patrimônio. Patrimônio esse que tem sido mais refém do que aliado na construção histórica do homem real e ideal, que se inventa e reinventa dia após dia.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

E no shopping... quem fala sobre o corpo?

Alunas: Maylinne Barros Beserra e Mª Kaliane Quaresma Parnaíba 

 A proposta desse trabalho foi de realizarmos em trabalho de campo a observação e a descrição de um determinado contexto, em seguida uma entrevista, para, embasado no texto “O manifesto do corpo” de Miguel Vale de Ameida (1996), realizar uma análise reflexiva sobre as manifestações corporais e suas implicações.

O campo alvo de nossa análise foi o Shopping Benfica, localizado na Av. Carapinima, N° 2200 - Fortaleza – CE, próximo de escolas, universidades e outras instituições educacionais que tem como público predominante estudantes de diferentes faixas etárias. 

De modo geral as pessoas que frequentam o shopping vão para realizar pagamentos, fazer compras, ver filmes e encontrar os amigos. Transcorremos todos os ambientes do local e vimos que os mais movimentados são: a praça de alimentação e o cinema e o menos frequentado é o último andar, onde fica a exposição de arte. 

Analisando os corpos, identificamos caracteríticas comuns, a citar, indivíduos que vestem-se a moda e representam a categoria ou grupo que faz parte. A maioria das mulheres usavam algum adereço (bolsas, óculos escuros, cordões entre outros). Quanto aos rapazes, usavam óculos de grau grandes, tipo “restart”. Vários com mochilas, principalmente estudantes, mas entre eles uma senhora nos chamou a atenção pela forma como se vestia: calça jeans, mochila, óculos escuros e etc. Sua postura nos remeteu o fala de Almeida (1996) quando diz que hoje “vivie-se como nunca o culto da juventude (...)”. 

 A partir desta pesquisa e do texto supracitado, surgiram questionamentos que supostamente poderiam ser respondidos pelos sujeitos observados. Veio a necessidade de retornarmos ao campo e entrevistarmos uma vendedora, como objetivo analisar suas concepções acerca do próprio corpo e como se percebe dentro do campo observado.

Entrevistamos, então, uma jovem vendedora de 20 anos de idade, que atua na área de moda infanto-juvenil, casada, parda, e com ensino médio completo. Percebemos que a vendedora refere-se predominantemente as características de sua personalidade, valores e caráter.

Quando pedimos para ela falar de seu corpo, a mesma relatou-nos a fragilidade em que ele se encontrava e não a forma física que os mesmo possuia. Porém, quando perguntamos se ela faz algo para se sentir mais jovem, ela respondeu positivamente, dizendo se utiliza dos recursos que ela tem acesso (roupas, prancha, etc.) e se por acaso, ela possuisse mais dinheiro mudaria algumas coisas em sua aparência. Percebemos que as pessoas sentem a necessidade de parecerem mais jovens, procuram estar na moda, para que, desta forma, sejam aceitas pela sociedade.

Segue entrevista >>

1. Quem você é?
Vendedora: Sou sorridente, trabalhadora e responsável.

 2. Fale sobre seu corpo.
Vendedora: Meu corpo está um pouco frágil, pois fiz uma cirurgia a pouco tempo.

 3. O que você mais gosta no seu corpo? Por quê?
Vendedora: A minha barriga, porque é fina.

 4. O que menos você menos aprecia no seu corpo? Por quê?
Vendedora: As panturrilhas, porque são finas.

 5. Como você acha que é visto (a) pelas outras pessoas?
Vendedora: Calma, responsável e magra demais.

 6. O que seu corpo representa em seu ambiente de trabalho?
Vendedora: Confiança, o físico não tem muita importância.

 7. O que é importante para que uma pessoa seja aceita por você e pelos seus colegas no ambiente de trabalho?
Vendedora: Respeito, confiança e amizade.

 8. Por que você acha que as pessoas frequentam o shopping?
Vendedora: Por vaidade e necessidades. 

9. Você sente alguma dificuldade em conciliar o emprego e a vida doméstica? Se sim, quais?
Vendedora: As vezes sim, porque sou casada e o horário é complicado, principalmente, no final de semana.

 10. Para você, o que é bem estar?
Vendedora: Estar bem espiritual e fisicamente, e também, no amor. 

11. Sua aparência corresponde à sua idade? Você faz algo para se sentir mais jovem?
Vendedora: Não, acho que o fisico não corresponde a minha idade, me acho mais velha, procuro usar o que tenho para ficar bonita como prancha, fazer as unhas, banho de lua. Se tivesse dinheiro com certeza me vestiria melhor, faria uma plástica corretora e peeling.

 12. Qual o seu padrão de beleza? Descreva uma pessoa que você considera estar nele.
 Vendedora: Uma pessoa que pesa 55kg e 1,63 altura, fazendo atividades físicas e, se alimentando bem. (Minha irmã)

 13. Quais suas conciderações acerca da diversidade cultural?
 Vendedora: Todos têm direito de ser o que deseja e ninguém dever ter preconceito.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

ATENÇÃO!


Turma, hoje não haverá aula. Nos encontramos na próxima terça, dia 29/09. 
 Avise aos colegas!

terça-feira, 13 de setembro de 2011

A produção cultural do corpo

ALUNOS: ANTONIO WAGNER PEREIRA e CAISON CLEIDER 
 Estudo e Reflexão do 2ª capítulo do livro: GOELLNER, Silvana; FELIPE, Jane. (Org.). Corpo, gênero e sexualidade: discutindo práticas educativas. Rio Grande/RS: Editora da FURG, 2007

 Esta reflexão parte da fundamentação geral do corpo concebido e produzido tanto pela cultura, quanto pelo tempo histórico no qual está inserido. Goellner (2007) afirma que em diferentes momentos históricos o corpo recebe diferentes marcas. Logo, torna-se complicado analisar corpo de forma individual sem atentar para as interferências externas das quais está sujeito e inserido (Contexto). 

Observamos que o corpo não é algo imutável, pelo contrário, ele está em constante transformação e por isso assume inúmeras características. O corpo não é somente o que observamos pelo reflexo de um espelho como sendo um conjunto de pele, e em sentido mais estrito, ossos, músculos, um emaranhado de veias como fica bem explicitado nas palavras de (GOELLNER, 2007). O corpo é identidade, é cultura, é histórico, é biológico, é máquina, e as representações que se criam sobre esse corpo, é poder, é controle, é o que dele se diz.

O corpo diz muito sobre o que somos; enquanto grupo, criamos estereótipos, classificamos, nomeamos, definimos, julgamos uma pessoa a partir do que vemos em seu corpo: o que ela veste, o cabelo, a cor da pele. Deduzimos muitas coisas sobre uma pessoa simplesmente olhando para o seu entorno. Por um simples gesto ou modo de portar-se criamos uma série de “pré-conceitos”. Todas essas afirmações nos levam a concluir que de fato o corpo é um sem limites de possibilidades, e isso fica bem claro nas palavras da autora quando afirma que um corpo é mais do que um conjunto de músculos, ossos, vísceras. Sua definição está, além disso, pois as roupas, os acessórios, a imagem que dele se produz diz muito sobre si.

O movimento corporal de um bairro retrata a vida e cultura das pessoas que ali vivem. Julgamos a partir de nosso ponto de vista, da cultura na qual estamos inseridos. Podemos exemplifica o que argumentamos de uma maneira bastante simples analisando uma situação hipotética: “morador da área nobre de Fortaleza, visitando uma dessas pracinhas da periferia”. Certamente o impacto seria grande. E a recíproca também é verdadeira, pois as vestes, a forma de se portar, os hábitos, o modo como os corpos se apresentam serão alvos de nomeações e classificações. O corpo vai refletir o grupo ao qual pertencemos daí concluímos que de fato, diferenciamo-nos culturalmente através de nossos corpos. 

Segundo a autora, falar do corpo é falar de nossa própria identidade, pois, na cultura contemporânea o corpo adquiriu grande centralidade, ficando isso bastante evidente no crescente mercado de produtos e serviços relacionados ao corpo; cosméticos, academias, cirurgias, medicamentos, dietas, próteses. Diariamente a mídia bombardeia milhares de pessoas com conceitos de corpo ideal. Estabelecem-se padrões de beleza. A moda dita a tendências das roupas dos acessórios. A partir daí nos identificamos com determinado padrão e construímos nosso perfil. Na sociedade contemporânea, com todo aparato tecnológico, predomina o culto ao corpo. Não há limites.

É possível mudar o cabelo, trocar de sexo, aumentar/diminuir os seios, os músculos. O corpo agora é algo modificável, a tecnologia propicia as mudanças. Pregasse o corpo retilíneo, vigoroso. E quem não tem é um relaxado. Ao longo da história observamos as diversas mutações, conceitos e valores pelos quais o corpo passou até chegarmos aos conceitos hoje vigentes. Durante a Idade antiga, o corpo ligado a natureza havia a integração corpo-natureza-deuses, no sentido de divinizar o corpo. Com o advento do Cristianismo houve a divisão corpo x alma. O corpo é a morada da alma, ele é corruptível, a alma não. Daí a necessidade de punir o corpo (flagelos), punição pelos pecados.

 Por muito tempo houve diferenciação entre homens e mulheres por causa do corpo. A partir dessas diferenciações o lugar de cada um era determinado na sociedade. Essas explicações que determinavam o feminino e o masculino eram advindas da biologia do corpo. À mulher, por ser mais frágil, eram destinadas atividades menos penosas, daí atribuía-lhes atividades do lar. Ainda no que se refere ao corpo enquanto biológico durante um período da história até mesmo a higiene do corpo teve outro significado. Goellner (2007) afirma que o banho nem sempre esteve ligado a ideia de limpeza do corpo como se tem hoje em dia. Na Idade Média restringiam-se as mãos e ao rosto. Somente a partir do século XVIII a lavagem do corpo é associada à proteção, pois um corpo limpo está menos sujeito a doenças, além de tudo revigora e melhora a aparência.

 Buscamos ao longo dessa discussão analisar as características históricas, sociais e culturais referentes as diversas função do corpo com o fim de compreendermos melhor nossa realidade e toda essa produção cultural do corpo.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Entrevista com Dayse Campos de Sousa

Alunas: Lissandra Silva Cutrim e Nirlene Barbosa de Mesquita.

A entrevista foi realizada no Instituto de Promoção da Nutrição e do Desenvolvimento Humano- IPREDE, na sexta-feira dia 10/06/2011, às 19h30m. Com Dayse Campos de Sousa, coordenadora do Curso de Especialização da Universidade Estadual do Ceará- UECE e Universidade Federal do Ceará- UFC que atua também desenvolvendo projetos em instituições como o IPREDE.

Formada em Graduação em Psicologia, Psicomotricista titulada pela Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro- SBP\RJ com Pós-Graduação em Psicomotricidade e Mestra em Educação Especial pela UECE e Centro de Referência Latino Americano para Educação Especial- CELAEE, do Ministério de Educação de Cuba.

A Psicomotricista, Dayse mostrou a sua perspectiva em relação quanto à interligação do corpo e a mente. O que é de fundamental importância para a absorção do conhecimento por parte da criança. Relatando que é através da ação que a criança vai descobrindo as suas preferências e adquirindo a consciência do seu esquema corporal.

Para que isto aconteça é necessário que ela vivencie diversas situações durante o seu desenvolvimento, interagindo e articulando, principalmente, durante as atividades em grupo onde a criança encontra espaço para a sua própria expressão, permitindo transformações que resultam em uma maior flexibilidade na relação consigo mesmo, com os amigos, os familiares e com os diversos grupos com os quais ela se relaciona.

Segundo a entrevistada no período da sua Graduação ela não ficou satisfeita com a metodologia utilizada pelo professor e decidiu que se aprofundaria na área da Psicomotricidade. A partir disto seu intuito foi de aplicar uma nova metodologia para a transmissão de toda uma informação necessária para a formação dos futuros profissionais de maneira que eles possam saber a teoria e vivenciar a prática.

Percebemos que as atividades diversificadas como: atividades em campo, em dupla, oficinas, aulas teóricas e vivências são fundamentais para que os alunos do curso de Especialização se tornem capazes de estabelecerem uma interligação entre o corpo, o movimento e a educação. Segundo Dayse, a procura na área de Psicomotricidade tem sido maior na área de pedagogia, apesar ter profissionais da área de Educação Física e Psicologia.

Portanto, podemos perceber que no Brasil o campo da Psicomotricidade não possui tanta abrangência no mercado de trabalho, pois ainda não é reconhecida como profissão, já que só há uma Graduação em Psicomotricidade em todo o país, no Rio de Janeiro, enquanto que em outros países como: Argentina, Chile e países da Europa e entre outros já é uma profissão reconhecida. Por isso, a meta é que a Psicomotricidade seja reconhecida nos próximos anos, pois aprendemos que ela auxilia ao pedagogo a compreender o que ocorre com a criança através do processo de afetividade, pensamento, motricidade e linguagem, onde a dinâmica psicomotora auxilia no potencial de relação pela via do movimento, incentiva o brincar e, amplia a possibilidade de comunicação.

Entrevista na íntegra >>

1. O que é a Psicomotricidade?
Dayse Campos de Sousa- Na minha concepção pode ser definida como o campo transdisciplinar que estuda e investiga as relações e as influências, recíprocas e sistêmicas, entre o psiquismo e a motricidade.

2. Como a Psicomotricidade é vista no mercado de trabalho?
Dayse- No Brasil há somente uma faculdade reconhecida pelo Ministério da Educação- MEC que é situada no Rio de Janeiro. Em relação, a profissão ainda não há reconhecimento no Brasil o que torna difícil para os profissionais exercerem a profissão.

3. Quais são suas áreas de atuação?
Dayse- Psicologia e Psicomotricidade.

4. O que o motivou a se dedicar a esse campo específico?
Dayse- Uma experiência que tive quando fazia graduação, onde um professor de uma determinada disciplina não me satisfez quanto à metodologia utilizada, pois suas aulas eram teóricas e a prática ficava esquecida. Então, me propus a estudar a área da Psicomotricidade para que através do meu conhecimento e experiência eu possa transmitir aos alunos aprendizagem teórica suficiente fazendo com que eles possam aplicar a prática confiando em si mesmo e tendo prazer no que fazem. Pois, me dedico nesses vinte nove anos a Psicomotricidade e tenho paixão pelo que faço.

5. Como tem sido a demanda, o interesse dos professores por essa área?
Dayse- A demanda não é suficiente, pois como ainda não é uma profissão reconhecida dificulta o ingresso dos profissionais na área. Contudo, a busca pela Psicomotricidade tem sido mais procurada pela parte pedagógica do que clínica.

6. O que é preciso para o professor ou o interessado se capacitar em Psicomotricidade?
Dayse- É necessário que o professor faça a Especialização em Psicomotricidade, conheça a estruturação, tenha um bom entendimento na parte teórica e principalmente vivencie a prática, pois é através dessa vivência que ele vai reconhecer o conjunto mental e corporal da criança. Pois, a prática é totalmente diferente da teoria e, sobretudo é preciso acreditar na formação e na vivência.

7. O que muda na aprendizagem quando se trabalha com a Psicomotricidade?
Dayse- A criança adquire melhor compreensão de mundo com o ato de brincar, desenvolve-se intelectualmente pela construção dos seus pré-conceitos sobre os objetos, o espaço, o tempo e as causas e efeitos que regem os acontecimentos.

8. Como a Psicomotricidade pode auxiliar a criança no seu comportamento, aprendizagem e socialização?
Dayse- O desenvolvimento da criança depende da qualidade de sua relação com o grupo, com o meio onde vive e de uma verdadeira formação social. As crianças aprendem a viver com os outros, a aceitá-los, a respeitá-los, a trocar, a comunicar, a dar e receber. A criança estará num espaço plenamente disponível para uma estruturação intelectual e as suas capacitações serão mais sólidas e rápidas.

9. O que o Psicomotricista busca ao estabelecer esse tipo de contato com a criança?
Dayse- O papel do Psicomotricista é ajudar a criança no seu processo de autoconhecimento, visando estabelecer novas interações com o outro a partir da relação psicomotora livre, criativa e dirigida. Assim, ela se torna mais criativa em face de suas possibilidades de ação e descoberta pessoal, se manifestando mais alegre e humana.

10. E como tem sido a sua vivência como docente?
Dayse- Coordeno os alunos no Curso de Especialização, apresento trabalhos em outros países, participo de palestras em outros estados, inclusive viajarei ao Chile a um Congresso de Psicomotricidade em novembro para apresentação de um trabalho e farei palestra, pois lá a Psicomotricidade já é uma profissão.

11. Como você vê o trabalho de pesquisa na área da Psicomotricidade? Você está realizando alguma investigação?
Dayse- Há poucos trabalhos, pois algumas monografias que temos normalmente não são valorizadas, o que dificulta muito o trabalho na área. No momento não estou realizando nenhuma pesquisa, contudo acho importantíssimo que os alunos pesquisem porque dessa maneira adquiriram mais conhecimento e terão menos dificuldade em apresentar trabalhos e escreverão mais facilmente.

12. Em sala de aula, como a Psicomotricidade pode auxiliar ao pedagogo?
Dayse- Perceber que a partir do início da escolaridade, as crianças ainda estão estruturando o seu desenvolvimento físico, mental e social. O papel do pedagogo vai ser o de analisar o histórico da criança, para que assim possa compreender que fatores influenciam na convivência com a escola e adaptar- se com o meio social, podendo assim facilitar no trabalho com as dificuldades do aluno.

13. Na sua opinião, o período em que é dado a disciplicina de Psicomotricidade na Graduação é suficiente para que os futuros educadores desenvolvam atividades adequadas?
Dayse- Não, pois o tempo é mínimo para que se possa ver a parte teórica e principalmente ter as vivências que são de extrema importância para conhecer a Psicomotricidade. Teria que ter no mínimo uns três semestres para que se pudesse trabalhar na Graduação a Psicomotricidade.

14. No decorrer do Curso de Especialização em Psicomotricidade que tipo de atividades são desenvolvidas pelos alunos?
Dayse- As atividades de campo em dupla para que um auxilie o outro, estágios supervisionados, oficinas com texto (parte teórica) e logo depois a prática seja no IPREDE ou em escolas, aulas teóricas com vídeos vivenciadas por profissionais de outros países, vivências...

15. Levando em consideração essa realidade, qual é o desafio dos profissionais que atuam nesta área?
Dayse- O maior desafio é a legalização da profissão e mais cursos em nosso país, pois só temos um curso de Graduação no Rio de Janeiro e apenas um curso de especialização pela UECE e pela UFC. No entanto, nos países como: Argentina, Chile e parte da Europa esses profissionais já tem o reconhecimento o que facilita a sua atuação na área.